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O INTERCULTURALISMO E A EDUCAÇÃO INTERCULTURAL

O interculturalismo diz respeito à interacção entre culturas, favorecendo o seu convívio e integração, sustentada no respeito pela diversidade e enriquecimento mútuo. A expressão define igualmente um movimento que visa o respeito pelas outras culturas, superando as falhas de relativismo cultural ao defender o encontro, em pé de igualdade, entre todas elas. O interculturalismo propõe-se promover os seguintes objectivos:

1) Compreender a natureza pluralista da nossa sociedade e do nosso mundo;

2) Promover o diálogo entre as culturas;

3) Compreender a complexidade e riqueza das relações entre diferentes culturas, tanto no plano individual como no comunitário;

4) Colaborar na procura de respostas aos problemas mundiais de ordem social, económica, política e ecológica.

Os interculturalistas não só aceitam todas as culturas, como as colocam em pé de igualdade e fomentam a abertura cultural e a implementação do diálogo intercultural.

Um pouco por todo o mundo verifica-se uma crescente consciencialização da existência de um fosso entre a realidade das relações interculturais em contexto local e as políticas de educação intercultural postas em prática pelos governos, instituições e sociedade civil. Este hiato relaciona-se especialmente com as necessidades, e relevância, da educação intercultural, assim como com a forma como estas são traduzidas em experiências de aprendizagem intercultural na prática diária.

Geralmente, podem ser identificadas duas abordagens principais ao interculturalismo por parte dos Estados. A primeira supõe que conhecer outras culturas levará a uma melhor compreensão e coexistência pacífica; a segunda aceita essa suposição mas argumenta que ela não é suficiente, e que as desigualdades estruturais das diversas culturas precisam ser discutidas.

Juntamente com o conceito de educação intercultural, a noção de diálogo intercultural emergiu como uma ideia que envolve processos associados à coexistência, e à comunicação, entre diferentes povos, respeitando tanto a necessidade de coesão social como o respeito pela diversidade de identidades, e pluralidades, existentes em todas as sociedades.

O diálogo intercultural refere-se a uma troca de opiniões entre indivíduos, e grupos, pertencentes a diferentes origens étnicas, culturais, religiosas e linguísticas, assente na compreensão e respeito mútuos. É uma missão central do Conselho da Europa, que reconhece que para o diálogo intercultural ser possível é necessário criar estruturas e políticas coerentes.

A estratégia do Conselho da Europa define três níveis para a implementação de uma política coerente de promoção do diálogo intercultural:

1) Diálogo intercultural nas sociedades europeias, como o diálogo entre as culturas maioritária e minoritárias que vivem na mesma comunidade;

2) Diálogo intercultural através das fronteiras nacionais;

3) Diálogo intercultural entre a Europa e outras regiões.

O quadro global da educação, entendido como abrangendo as dimensões do interculturalismo, direitos humanos e cidadania, refere-se a um quadro educativo específico que dá enfâse à aprendizagem transformadora. Aquelas dimensões de educação, juntamente com outras, como por exemplo a sustentabilidade e a gestão de conflictos, estão, em muitos aspectos, entrelaçadas. Todas exigem, por um lado, um processo de aprendizagem baseado na participação activa dos alunos, e na sua colaboração na negociação de uma compreensão contextualizada em torno das questões de igualdade, dignidade e justiça, e por outro lado, num diálogo honesto entre os diferentes intervenientes na sociedade. A aprendizagem ocorre em diferentes contextos educativos formais, não formais e informais, entre um grupo específico de participantes, ou partes interessadas, em qualquer momento. Mas esses grupos de alunos não interagem necessariamente, ou têm acesso à tomada de decisões que catalisam um processo de mudança. Para que tal aconteça, é necessária uma participação activa na aprendizagem e um comprometimento com o diálogo entre os diferentes actores. Além disso, deve-se ter presente que uma aprendizagem transformadora apoia-se na metodologia participativa da educação global e na diversidade dos seus temas, reposicionando dessa forma a inclusão, o diálogo, a parceria e o restabelecimento da dignidade humana como valores centrais no processo de aprendizagem.

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