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A CRIANÇA PRECISA BRINCAR

Parece ridículo escrever um texto sobre a importância de as crianças brincarem. Afinal, não é isso o que elas fazem? A resposta é assustadoramente simples: não. Nada mais define a infância do que o brincar e, no entanto, nada menos dominante na infância atual, escolarizada até ao tutano, dividida em atividades sempre organizadas pelo adulto. Em casa sujeita ao regime de trabalhos de casa-TV-telemóvel-tablet antes de deitar e, de manhã, começar tudo de novo. “Temos uma criança mais centrada nos dedos do que na locomoção, que é corporalmente passiva e sofre de iliteracia motora” por Carlos Neto. As crianças de hoje são mais frágeis, mais imaturas e menos capazes de se controlar. A dura realidade é que os mais novos passam na escola quase tantas horas diárias quanto um adulto no trabalho.

Quando é que o brincar livremente se tornou a atividade mais rara, menos praticada, na vida das crianças? E quando é que este quadro negro passou a ser encarado como normal? Passou-se a ver a brincadeira como fútil e excedentária? Brincar está longe de ser fútil. É uma atividade completa, em que as crianças aprendem a decidir, a negociar, a colaborar, a pensar e a criar; descobrem o que querem e como querem fazer; elaboram e exprimem as suas fragilidades e traumas; e começam a ler a realidade social, a interpretá-la e a agir sobre ela. Pelo contrário, o não brincar ocasiona danos profundos no ser humano. Gera crianças mais obesas, mais sedentárias, com menos competências sociais e relacionais, mais isoladas e individualistas, e que em adultos estabelecem relações mais difíceis. Promove, igualmente, uma pandemia de crianças cansadas e stressadas que acabam sendo alvo de medicação. Uma criança que não brinca não aprende a concentrar-se, pois tem de extravasar em algum momento.

Hoje em dia vivemos o drama do tablet. As crianças habituam-se a olhar para um ecrã durante horas. Esse tipo de interação com o mundo ‘enche’ a criança de respostas automáticas, inibindo-lhe a criatividade e abrindo caminho para uma maior incidência de problemas mentais no futuro. A energia das crianças é natural e deve ser tolerada pelos adultos. O ser humano não nasceu para estar quieto. Ao alimentar a inatividade nas crianças, estamos a criar monstros.

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