Home>Cultura, Literatura e Filosofia>OS TEUS OLHOS LEMBRAM O MAR
Cultura, Literatura e Filosofia

OS TEUS OLHOS LEMBRAM O MAR

“Os teus olhos lembram o mar” dizias-me tu. Azuis esverdeados nos dias coloridos qual dia de praia no Verão e cinza quando não estou bem ou os dias estão cinzentos.

“Os teus olhos lembram o mar” dizias-me tu. E para mim era o suficiente. Quando os problemas surgissem era só ver que se tenho o mar nos olhos então também tenho a força para manter a calma à superfície quando por dentro tudo está agitado. Se tenho o mar nos olhos também tenho a mesma prontidão para contornar os obstáculos depois de ver que bater de frente não é solução tal e qual a água. Se tenho o mar nos olhos então também nos dias em que por muito brava que estivesse se me soubesses apaziguar com a palavra certa toda a ira se espumaria tal e qual a onda quando chega à areia.

“Os teus olhos lembram o mar” dizias-me tu. E isso nem sempre é bom. O mar não é calmo, nunca será e está apenas à altura do bom marinheiro. O mar também atraiçoa assim como os meus olhos o fazem sempre que tento esconder algo que não quero que se saiba ou quando a boca não está em conformidade com o coração. O mar também destrói. Destrói o que é mau mas também destrói o que é bom. O mar é salgado e tu não soubeste como lidar quando eu em vez de doce era apenas sal.

“Os teus olhos lembram o mar” dizias-me tu. E eu ouvia e ficava feliz, ridícula, patética como ficam sempre os intervenientes das histórias de amor que acontecem todos os dias. Sim porque se não ficamos patéticos de vez em quando então não é lá grande história. Todos os amores têm sempre um pouquinho de ridículo.

“Os teus olhos lembram o mar” dizias-me tu. E agora passado todo este tempo por vezes pergunto-me: “E tu? Ao veres-me o mar ainda te lembras dos meus olhos?”

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado.

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Fica a saber como são processados os dados dos comentários.