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Saúde e Vida

AROMÁTICAS: TÃO NOSSAS E TÃO SAUDÁVEIS

As plantas aromáticas são uma das maiores riquezas da gastronomia portuguesa, não apenas pelos aromas e sabores peculiares que dão aos nossos pratos, mas, e principalmente, pelo papel benéfico que os seus compostos bioactivos (isto é, com actividade biológica) têm na saúde.

Viajamos, hoje, por este maravilhoso mundo, onde se destacam algumas das plantas aromáticas mais utilizadas na nossa cozinha: orégãos, alecrim, salsa, cominhos, cebolinho e muito mais. O seu uso tradicional (milenar!) na prevenção e controlo de doenças crónicas como, por exemplo, a diabetes tipo 2, hipertensão, doenças cardiovasculares, doenças cancerígenas, febre, infecções, inflamação ou distúrbios gastrointestinais, despertou a atenção da ciência, que procura actualmente descrever os seus principios activos, a sua actividade e o seu potencial como remédio natural.

De entre as suas propriedades, as aromáticas têm em comum o elevado poder antioxidante, antimicrobiano, anti-inflamatório e, provavelmente, anti-cancerígeno, pelo que se destacam abaixo outras importantes acções destas plantas.

Orégano (Origanum vulgare)

De folha verde e flor de cor violeta, o orégano é uma erva originária dos climas cálidos do oeste e sudoeste da Europa e zona mediterrânica (curiosidade: a Turquia é um dos maiores exportadores desta planta). Limoneno, carvacrol e timol são nomes que se destacam como alguns dos princípios activos responsáveis pelos benefícios dos orégãos, desde logo, na boa digestão: actuam na redução dos espasmos (cólicas) e estimulam da produção de bílis, essencial para a digestão das gorduras, podendo, ainda, auxiliar na prevenção de infecções intestinais causadas por parasitas, fungos, virús ou bactérias. Problemas respiratórios (tosse, asma e alergias), cólicas menstruais, artrite, colesterol elevado e infecções urinárias são outros problemas que podem eventualmente beneficiar do consumo desta planta. Acresce que o óleo essencial de orégano também é usado, desde a antiguidade, para tratar e prevenir afecções da pele (acne, pé de atleta, caspa, rosácea, verrugas, picadas de insectos, varizes, psoríase…), sendo que o óleo é um repelente natural de insectos. Ainda, os orégãos podem contribuir para a redução dos níveis de açúcar no sangue (glicémia), motivo pelo qual devem ser usados com precaução por diabéticos.

Alecrim (Rosmarinus officinalis L.)

Também conhecido como rosmaninho, o alecrim é um arbusto que, além de utilizado na cozinha, é uma reconhecida planta medicinal com elevado poder antioxidante, de tal forma que o extracto de alecrim foi mesmo aprovado como aditivo (E392) pela União Europeia (UE), pela sua segurança e eficiência como antioxidante natural na preservação dos alimentos. Terpenos, flavonóides e polifenóis são grupos de substâncias benéficas que pode encontrar no alecrim, destacando-se o ácido rosmanírico, com actividade antibacteriana, antiviral, antioxidante e anti-inflamatória. As suas folhas também podem ser usadas como analgésico para dores dos músculos e das articulações, contudo, o seu grande destaque mediático (e científico) prende-se com a sua acção ao nível do sistema nervoso central, sendo que cheirar alecrim pode, através dos seus óleos essenciais, melhorar a memória e a aprendizagem. Neste âmbito, talvez se recorde do estudo recente que verificou que crianças que cheiraram alecrim, antes de fazer “jogos de memória”, tiveram um desempenho superior por comparação ao grupo de controlo. Por este motivo, o alecrim tem sido também estudado pelo seu impacto na função cognitiva e prevenção de doenças neuro-degenerativas como o Alzheimer.

Salsa (Petroselinum crispum)

Tão utilizada nos nossos cozinhados, a salsa é uma planta medicinal que se destaca, além das actividades antioxidante e anti-inflamatória comuns a todas as aromáticas, pela sua acção anti-edema (eliminação de líquidos) e normalizadora da tensão arterial e, ainda, no tratamento de cálculos (pedras) renais, tendo mesmo um comprovado efeito protector da função renal.

Tomilho (Thymus vulgaris)

Existem mais de 300 espécies de tomilho, predominando no Sul da Europa e no Norte de África. Pela sua acção antioxidante elevada, é também uma opção natural para a utilização industrial com preservante em alimentos e cosméticos, sendo o timol e o limoneno duas substâncias de relevo para esta actividade. É também um destacado antimicrobiano devido à presença de compostos naturais que inibem o crescimento de vários microrganismos nefastos, motivo pelo qual tem sido proposto como antimicrobiano natural de interesse no uso em agricultura biológica que, como se sabe, não deve incluir químicos activos.

Coentros (Coriandrum sativum L.)

Sao um dos condimentos mais populares em todo o mundo, contendo compostos bioactivos de ampla actividade biológica, incluindo as acções neuro-protectora, reguladora da tensão arterial e anti-envelhecimento celular. Esta actividade tão abrangente, a par do uso difundido, faz dos coentros um potencial candidato a alimento funcional na promoção do bem-estar e do envelhecimento saudável, acessível e apreciado por (quase) todos.

Cebolinho (Allium schoenoprasum)

Erva de crescimento fácil, o cebolinho é cultivado para aproveitamento das folhas que têm utilidade culinária e medicinal. As propriedades atribuídas ao cebolinho são, em tudo, semelhantes aos conhecidos benefícios do alho, porém, um pouco menos potentes. O cebolinho tem utilidade na redução da tensão arterial, no tratamento de parasitas intestinais, no alívio da pele sujeita a queimaduras solares e, ainda, nas dores e inflamação da garganta. Estudos fitoquímicos revelam a presença de compostos fenólicos, flavonóides e saponinas, mas são os compostos sulfurados e a alicina os prováveis responsáveis pelas suas propriedades próximas às do alho.

Hortelã vulgar (Mentha spicata)

A hortelã vulgar, tambem conhecida por menta, é, desde logo, um conhecido ingrediente de pastas dentífricas e elixires bocais, usado pelo seu efeito refrescante e anti-inflamatório. Além disso, tem propriedades digestivas, ajudando a tratar o refluxo gastro-esofágico, inflamação da vesícula biliar, cálculos biliares (pedra na vesícula), náuseas, diarreia e flatulência (gases intestinais). Por esta razão, pode ser uma ajuda natural na atenuação dos sintomas do Síndrome do Cólon Irritável. Tem, ainda, propriedades anti-inflamatórias e analgésicas locais, pelo que pode ajudar a tratar da inflamação da garganta. Neste sentido, pode mesmo ser útil a aplicação das suas folhas para inflamações no interior da boca e para zonas afectadas por artrite, prurido e urticária.

Poejo (Mentha pulegium)

É, como o nome científico sugere, um tipo de menta, e tal como a sua parente hortelã, o poejo pode auxiliar no tratamento da indigestão, diarreia e cólicas intestinais. No entanto, também se destaca a sua utilização tradicional no alívio das enxaquecas.

Erva-doce (Pimpinella anisum L.)

Também chamada de anis, é uma planta aromática e melífera (que atrai abelhas) muito conhecida entre nós. Tem uma longa história de uso medicinal tradicional, sobretudo no Irão, sendo tida como diurética, útil no tratamento da flatulência, e ainda lhe tem sido apontada potencial vantagem no tratamento da epilepsia. De referir que, no que respeita às suas propriedades antimicrobianas, a erva-doce demonstrou actividade contra Staphylococcus aureus Escherichia coli, dois agentes infecciosos comuns, e, ainda, actividade contra o fungo Candida. Em indivíduos com doença hepática, a erva-doce demonstrou também ser protectora das células do fígado. Esta aromática pode também ajudar à regulação da glicémia, do colesterol e dos sintomas da menopausa, nomeadamente os conhecidos “calores”.

Louro (Laurus nobilis)

Árvore nativa do sul da Europa e zona Mediterrânica, o loureiro tem folhas cujo uso se estende bem além dos temperos. Tratamento da epilepsia, neuralgia (dor nervosa) ou tremores, são algumas das propriedades atribuídas tradicionalmente ao louro. As folhas podem ser, ainda, usadas para tratar sintomas gastrointestinais, como inchaço e flatulência, e a sua infusão, aplicada na pele, pode aliviar a dor reumática e as hemorróidas.

Cominho (Cuminum cyminum)

Nativo da Índia, Irão, Mediterrâneo e Egipto, o cominho é uma planta com propriedades estimulantes, digestivas e coagulantes, tendo também sido referido como anti-diabético e auxiliar no tratamento de infecções urinárias.

Alfazema (Lavandula angustifolia)

Alfazema ou lavanda são dois nomes possíveis para esta planta soberba, de inúmeras propriedades terapêuticas e de poderosa actividade biológica. De destacar a sua acção sedativa, que a torna uma potencial ajuda no tratamento da depressão, irritabilidade nervosa, ansiedade, insónia e síndrome de burnout. Ainda, um recente estudo sobre a acção da alfazema em ratinhos com doença de Alzheimer demonstrou a melhoria da memória e demais funções cognitivas, o que pode ser promissor nos seres humanos com esta doença. A alfazema é também digestiva e útil no alívio de enxaquecas. Em banhos, parece aliviar as dores reumáticas e melhorar a circulação.

A avaliação científica actual tem vindo a validar muitas das propriedades atribuídas as estas e outras plantas aromáticas e medicinais, demonstrado o seu potencial como auxiliares naturais do tratamento e prevenção de inúmeros problemas de saúde. Ainda assim, e apesar dos avanços nas pesquisas que reforçam os seus benefícios, importa estudar também a sua segurança e demais efeitos, pelo que devemos continuar, para já, a utilizá-las diariamente, com variedade e parcimónia, dando mais sabor e mais saúde à nossa mesa.

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