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Saúde e Vida

DOENTE NO SÉCULO XXI

No contexto social em que vivemos, já não conseguimos fazer mais apelos para que os tempos de espera nas filas dos hospitais públicos deixem de ser constrangedores.

Mudar pode não significar resolver, mas sim adiar um problema que se tem vindo a agravar porque a comunicação interinstitucional não facilita a resolução das situações problemáticas vivenciadas  todos os dias pelos nossos doentes.

A responsabilidade Estatal tem vindo a voluntariamente a distanciar-se deixando para o dia seguinte a resposta das suas boas intenções que dificilmente serão concretizadas, porque o investimento é precário, o doente fica caro, os profissionais escasseiam e são mal pagos.

O médico consegue compreender, ouvir, observar, elaborar o diagnóstico, instituir a terapêutica, e o doente não consegue resistir ao tempo de espera das consultas, dos internamentos, das cirurgias e dos preços dos medicamentos e muitas vezes não consegue ultrapassar este grave problema que inesperadamente tem que experienciar ficando impotente e sem conseguir vislumbrar uma luz que lhe permita obter a satisfação das necessidades vitais para tratar o seu problema de saúde.

Se é verdade que a pressão já não resulta fica apenas a culpabilidade entre todos os atores sociais que reagem de acordo com as suas competências e nem sempre o “fazer qualquer coisa” é adequado provocando muitas vezes reações irrefletidas em que o benefício é perverso e não permite uma aliança saudável entre o doente e a instituição que o assiste.

Certo é que o risco é eminente e os profissionais não conseguem ser salvadores, mas apenas colaboradores responsáveis.

Na verdade, o facto de serem os interlocutores preferenciais não consegue ultrapassar as barreiras inerentes á inercia dos decisores que não assumem o seu papel muito menos a responsabilidade no apoio de primeira linha como interveniente direto e eficiente do sistema.

Se ser dependente do Serviço Nacional de Saúde, representa critério de sofrimento a expressão de prejuízo passa a ter um papel importante porque foi excluída a garantia de proteção e o essencial deixou de ser prioritário.

A experiencia tem demonstrado que a linguagem não é verdadeira, que a equipa está desfeita, que a relação de confiança é uma fantasia, que o apoio, o respeito e os direitos do doente estão numa posição de equilíbrio difícil e instável, que o suporte já não é coletivo muito menos individual, que a existência do Serviço tem textos, brochuras e cartazes, mas falta-lhe o acolhimento, os meios de tratamento, a humanidade para se prestar um serviço de qualidade.

Importa contudo referir que o próximo programa terá de incluir no seu processo de mudança a componente prioritária que é prevenir e tratar atempadamente para conseguir cuidar.

 

 

 

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