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Cidadania e Sociedade

NO MUNDO PARA ALÉM DO MUNDIAL

No espaço de uma semana, tudo acontece, o mundo gira sem complacência por ninguém, a vida passa enquanto olhamos em redor, em inúteis perdas de tempo, levados pela cegueira ou pela vã vaidade, ainda que bondosa, acreditando que determinada concretização, que nos retira dos “nossos”, será sempre mais importante. Imbecis, ainda que bondosos, mas imbecis. Somos, todos, em determinado momento, perdendo a verdadeira noção de prioridades e apostas nesta vida que é a bênção mais efémera e maravilhosa que podemos ter. “Tempus fugit”

Mas ainda assim, há imbecis de proporções e índoles diversas.

Uma semana, e muitas são as imbecilidades demonstradas. No Mediterrâneo, enquanto 600 almas agonizam, em terra, entre Itália e Malta, discute-se qual dos países vai ser o primeiro a dizer que não a estas almas. Quem vai ser o primeiro a ganhar a velha populista questão dos malvados emigrantes que vem “roubar” os empregos aos nacionais, vem instalar o caos e o terror e aumentar a onda de crimes. São todos usurpadores e criminosos. Quem tiver boa memória, recordar-se-á que Paulo Portas utilizou o mesmo discurso na primeira campanha que fez por cá e que lhe rendeu o primeiro grande resultado ao PP em Portugal. Mas para isso teríamos que exercitar a memória, e afinal, um imbecil que se preze, não enfrentaria tal demanda.

A Itália tinha de ganhar esta batalha, com um governo de extrema-direita recém-empossado, que maior bandeira para os seus “piccoli imbecilli” que deixar à deriva estas 600 almas, com crianças e grávidas a bordo. Vitória, bradou o primeiro-ministro Italiano. Aqui não entram esses criminosos. Imbecil…

A imbecilidade, como qualquer outro concurso, atrai competidores de todos os países e setores, e se há algo que um imbecil experiente não admite é que um imbecil debutante lhe tente retirar protagonismo com um golpe destes.

Foi mais uma vez na América, e todos ficamos sem saber muito bem o que dizer, incrédulos que estamos, por sermos uns bondosos imbecis, com a capacidade de refinada maldade que outros, mais treinados e versados na arte da imbecilidade, conseguem produzir.

Trump, como forma pedagógica para os emigrantes ilegais, decide separar as crianças dos pais na entrada dos Estados Unidos, lançando assim a miséria humana, onde já nada mais existe. O desespero, o sofrimento atroz, a genuína e acutilante dor da separação de uma mãe, de um pai e dos seus filhos, sem nenhum saber, na sua própria bondosa imbecilidade, o que fazer. Afinal, ser-se imbecil é um luxo a que nem todos nos podemos dar. E um imbecil, bondoso, cuja imbecilidade foi tentar uma vida melhor e mais digna, pagará de forma dantescamente desumana essa pérfida inocente imbecilidade.

Imbecis, imbecis. O mundo está cheio de imbecis, porque no fundo, de alguma forma, todos o somos em algum momento. Mas no momento em que for como estes dois casos mencionados, não quero ser mais, e não é imbecil, não quero, apenas, ser.

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