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A ALDEIA QUE EM MIM HABITA – SOLDO OITAVO

Menina-dor esta que tarda a carecer de pueris memórias. Da espontaneidade do momento constipação não esperada, sentida, do sentimento que reside na extensão desta aldeia em mim.

Dobrados os sinos, insinuando uma alteração de existencial ordem que silenciada se mantinha, talvez pelo temer de um adiantamento do que ceifado se requer. Numa nunca preparação para o que se insurge como normalizado no pensamento de cada um.

Fausto na arte de marinheiro laborada, nas sinapses que permitimos, num processo de adequação a uma realidade que nos transmite a necessidade de olvidar nunca o que se apropinqua em zona nossa de rebentamento, emoções sedimentadas, musculadas com um eterno retorno do que impulsivamente em nós lacrima.

Dlim-dlam-dlim-dlam, tentando alterar cardíaco batimento, ante paredes estas de impossível rasura, com um traço que significa um já não estar.

Dlim-dlam-dlim-dlam. Insiste. Como que mendigando atenção outra que não aquela que se robustece de uma dor que nos percorre a garganta e, na iminência de um exteriorizar, impossibilita grau baixo de estanqueidade.

Atentem neste contínuo, já desgastado, tilintar, que, mesmo silenciado nas pautas que segue em estudado solfejo, ricochete frequenta pelas ruas desta aldeia. Sei que a distância que vos é conhecida entre nós apenas desnivela o que equilibrado até agora se mantinha.

Aldeia de gente boa que se reveste de implacável e rendilhado humanismo interditando a ofensiva de bélicas ações, despoletando o alarme nesses outros, levando-os a definição de estratégias muitas em pleno gabinete de crise.

Cada lar vê em paredes suas o transparecer do afeto e do eu de cada um que interiormente o habita. Hoje, desnutrido de presença outra, esta que vos anuncio, se vê.

Madalena expirou. Não se demoveu do inspirar, último, guardando para si tudo o que poderia levar de um mundo onde outrora feliz fora, contava a quem o pedia, de dada mão com as emoções que os seus lhe proporcionaram, rasgando no seu rosto os mais diversos desenhos, de traços que a levava a uma tela de felicidade.

Menina-graúda esta que aqui vos trago com que nunca partilhei espaço o mesmo. O meu aproximar fez-se naqueles que ainda hoje e com uma hercúlea força a não olvidam.

Se todo o afeto e humanismo que me transmitem a cada estar, junto deles, significa Madalena, então, acreditem, assim será continuada. representada está em cada gesto e palavras. Na simplicidade de se ser que mora naquela aldeia. À porta não bate. Não necessita. Ali pertence.

Família outra que minha é. Assim o sinto. Como não o ser quando olhando-os, sentindo-os, tudo cabe, tanto, imenso, no coração que acondicionam e permitem entrada a quem por bem venha.

Tomei por mim dor esta. Poderia questionar o porquê de a mim a chamar. O óbvio anula no pensamento e numa prova dos nove este transitar de interrogações.

O viver, o sentir, de sincera forma, uma alvorada de lucidez me traz perante uma realidade que acarinhar pretendo. Imensas as vezes que a coloco em saco de alças, esquerdo o lado, para que junto ao coração lhe possa sussurrar o quão importante é e significa.

Palavras muitas atrás partilhei a beleza desta família que escreve num dicionário de afetos, truncado, sempre, aquilo que em brancos espaços deixei, para que, sem aditada pressa, mesmo que multa de estacionamento passada possível possa, preenchido fosse. Mesmo que não em manuscrito, certo é que sentido e adequado ao vivido.

Madalena.

Perda imensa, para família minha que me enlaça em berço seu, soletrando o amor que possível é aquando de uma passarola que se quer bem alta, de vontades dotada que pretendem simplesmente chegar a porto que não seguro mas certo de felicidade e humildade.

Madalena a eles pertence. Neles se continua. Filha sua de coração imenso, de matriz força que, aliada a um chaparral de fluída sinceridade nas palavras e nos atos para com o outro, transmitiu profusamente um amor a filhas suas que extravasa limites seus, querendo garantir nos que próximos lhes são uma receção em braços e neles se deliciarem com o calor que mesmo que em temperaturas de elevado registo a traduzam.

Forma outra não há de conhecer sem conhecer Madalena que não nestes que aqui vos falo. Tamanho amor e amizade é a suma do caminho por ela percorrido. Pegadas vincadas no adocicar de gestos que se salgam pelo humanismo que veiculam em ruas que até mim chegam.

Sonorizadas lágrimas por mim adentro deslizam, tocando cada uma das imperfeições que me dão significado. Tilintam como que recordando dor muita que não deixa enxaguar a base que pilar aquele ergueu em vidas suas. Ecoam no seu contacto com solas de pés, meus, que agora carecem de tonificante para se nivelarem, garantindo firme caminhar.

Joelhos em terra, aproximo esquerdo ouvido, tentando escutar o que lá se sente. Nesta terra entregar coração meu e a eles o remeter, deles é, também, espero que o saibam, através de suspiros que me garantem um constante inconformismo com as perdas que vamos colhendo.

Espero que me ouçam. Mesmo que em surdina. Braços meus vos acolhem enxugando uma dor que me dói sabê-la.

Tê-los mais perto queria, mas impossível quando a aproximação se mede pelo que nos une e o seu recolher a coração meu. Logo, de cálculo fácil, mais perto possível o não será.

As perdas servem para relembrar, antes de um virar de página e com um final ponto terminar o que vos digo, o quão bom é viver. E neste agregar todos os que nos fazem melhores humanos.

Sinos que já não dobram. Não o sabem, mas confirmo-vos. Acreditem. Ou impossível seria nas escadas de quelha que me atravessa ouvir, onde me sento, lacrimal orquestração.

Ouçam povo este que se silencia, recolhendo memórias que jus faz à vida dos seus.

Abraço este estendido é até aldeã família, onde em breve voltarei, já lá estando, e a todos que a choram, num alvoroço de sentimentos e memórias que não se demitem de função primeira.

À barra entramos. Atracamos e ao cais entregamos a nossa continuidade. Connosco trazemos o que recordamos. Ao mar voltaremos. Mares outros, de emocional palamenta, peada aos poros que nos lembram de que tudo tem o seu tempo, parido em finitude sua.

Emoções que se tecem em palavras que em catadupa prescindem de vírgulas, ausentando regular respiração. Perdoem-me este respirar, mas são mãos que anseio em busca de um eu que se isola no corpo que lhe dá forma.

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