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Saúde e Vida

O ISOLAMENTO SOCIAL E A SOLIDÃO MATAM

As pessoas com uma rede social de apoio frágil têm tendência a ter piores hábitos de saúde, a terem menos propensão para o tratamento, a terem mais problemas de saúde, a serem mais afetadas pelo stresse, que as empurra para uma solidão que piora a saúde. O isolamento social e a solidão estão associadas ao acidente vascular cerebral, à doença valvular cardíaca, à doença cardíaca isquémica, à arritmia e à insuficiência cardíaca.

A solidão e o isolamento social podem ocorrer em pessoas de todas as idades e podem tornar-se num perigo para a saúde pública maior do que a obesidade. Para além de ser um forte indicador de morte prematura, a solidão faz muito mal à saúde, em especial ao coração, sendo um forte indicador de pior saúde mental e menor qualidade de vida de pessoas com doença cardiovascular.

O isolamento social e a solidão matam! As pessoas que se sentem sozinhas têm uma qualidade de vida significativamente inferior do que aquelas pessoas que não se sentem sós. Os homens e as mulheres que se sentem sozinhos têm três vezes mais probabilidade de terem sintomas de ansiedade e depressão.

Sentir-se só é mais relevante, em termos de saúde precária, do que viver sozinho, embora algumas pessoas possam viver sozinhas, mas não se sentirem sós, enquanto outras coabitam com outras pessoas, mas sentem-se sozinhas. Asolidão está associada ao risco de mortalidade em dobro nas mulheres, enquanto nos homens esse risco quase duplica.

O isolamento e a solidão começam a manifestar-se mais intensamente no início da terceira idade e já é um desafio civilizacional, pois o número de pessoas idosas a viver nesta situação tem aumentado em todo o mundo, e em Portugal já ultrapassou o meio milhão. A solidão das pessoas é um problema que afeta não só este segmento da população, como afeta toda a sociedade.

A estrutura demográfica da família portuguesa tem vindo a sofrer profundas alterações, o que faz com que a debilidade com que a sociedade enfrenta o futuro dos mais idosos fique mais visível. Em cada dia que passa, mais três dezenas de portugueses com mais de 65 anos engrossa o número das pessoas a viverem isoladas, em muitos casos com múltiplo isolamento: familiar, pobreza e relacionamento social.

A solidão da população idosa, que é muito mais que um estado de espírito, assume-se como um fator de risco que tem implicações a nível pessoal, económico e de bem-estar social. A população portuguesa está a envelhecer a uma velocidade vertiginosa e as soluções eficazes para lidar com a longevidade das pessoas tardam em aparecer.

Felizmente, algumas coisas têm mudado no âmbito do apoio humano e social, graças à sociedade civil que se tem mobilizado para criar estruturas e instituições destinadas ao apoio das pessoas que se encontram em situação de isolamento e solidão. O que é preciso, com urgência, é um plano oficial sério de apoio eficaz aos mais frágeis da sociedade e aos seus cuidadores.

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