Home>Cidadania e Sociedade>REFLEXÃO SOBRE UMA BANALIDADE
Cidadania e Sociedade

REFLEXÃO SOBRE UMA BANALIDADE

Fiquei a pensar no cumprimento de mão. Desconhecido, circunstancial, o homem aproximou-se para pedir uma informação. Esta abordagem de dois estranhos não necessitava do contacto; porém, este comportamento social que ao longo de muitas gerações se foi arreigando, revela que o homem vai repetindo gestos seculares e perde-se o verdadeiro sentido das coisas. O seu verdadeiro significado. Fazendo a isto jus, aqui estou a falar de uma coisa aparentemente banal.

Na realidade, o aperto de mão significa cordialidade, amizade, demonstração de respeito pelo outro. Quantas vezes, noutros tempos, se selavam acordos, negócios, com o vigoroso gesto de duas mãos que tinham o selo de um contrato. A honra, a “palavra de honra” associava-se muito a isso. A verticalidade do compromisso, a aceitação da responsabilidade perante o acordo.

Em tempos dei muitas horas de formação, onde este comportamento era treinado entre os meus formandos. E explicava-lhes o significado de cada tipo de aperto de mão. Sinais, mais ou menos subtis, da personalidade de cada interveniente. Pode-se fazer leituras interessantes das pessoas, das intenções subjacentes ao acto de cumprimentar de mão o outro.

Sendo uma tradição predominantemente masculina, ela também se aplica ao cumprimento entre o homem e a mulher, num contexto de maior formalidade, ausência de intimidade. Gosto muito particularmente de aperto de mão às mulheres; a par do lado formal do gesto, o doseamento correto da força na mão de uma mulher deve ser cuidado. A forma como o vamos fazer não dá tempo para pensar. É intuitivo. É uma reacção natural à delicadeza que ela empresta ao primeiro toque. Há mulheres que emprestam vigor ao aperto de mão, que combinado com a fragilidade de mão feminina lhes confere, à partida, uma personalidade forte e determinada. Outras revelam-se mais submissas, menos confiantes, porém mais dóceis. Aqui o contacto deve ser caloroso, enchendo a mão toda, com suavidade.

E nisto, o homem segue a caminho da Alemanha, não imaginando que me deu um pretexto para escrever sobre esta importante banalidade.

Deixo aqui o meu cordial aperto de mão a todos.

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Fica a saber como são processados os dados dos comentários.