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MOMO, A MITOLOGIA E O BIZARRO

Momo, patrona dos escritores e dos poetas. Deusa que personifica o sarcasmo e a ironia, na mitologia grega. Surge representada com um boneco na mão direita, simbolizando a loucura.

Esta crónica poderia desenvolver-se em torno do tema mitológico, uma riquíssima herança. Poderia contar-vos sobre a forma como Momo ridicularizava outros deuses. Mas, vamos antes reportar-nos à atualidade, pegando em dois pontos que convergem em dois episódios separados por milhares de anos de história: Momo e a loucura.

Deparei-me recentemente com um alerta sobre Momo. Mas outra Momo. Uma personagem bizarra, que alberga no mesmo corpo um rosto, que reporta para o sobrenatural, e uma ave. Trata-se, originalmente, de uma escultura exposta em Tóquio, no ano de 2016, numa exposição sobre fantasmas e espetros.

A par de desafios como os do jogo da “Baleia Azul”, responsável por cerca de cento e trinta suicídios, a Momo está a preocupar autoridades e pais. A imagem da escultura tem sido utilizada para aterrorizar os mais jovens, como foto de um perfil que entabula conversa no Whatsapp, ou mesmo através do jogo Minecraft. Este perfil tem sido associado a um número de telemóvel com indicativo de Tóquio, no entanto, têm surgido réplicas em vários países.

Momo desafia as crianças a obedecer-lhe, persuadindo-as através do envio de vídeos, imagens violentas e ameaças. Consegue, frequentemente, aceder aos dados pessoais da vítima, efetuando uma pesquisa por número de telemóvel nas redes sociais. Estes dados são, posteriormente, utilizados para coagir a criança a agir sob as suas diretivas.

Na Argentina, uma criança de doze anos cometeu suícido, enforcando-se no quintal de sua casa. As autoridades acreditam que este suicídio está ligado ao fenómeno, assim como outros ainda sob investigação.

Não existem casos reportados, até ao momento, em Portugal. Este fato não nos retira o dever de permanecer atentos ao fenómeno, até porque, a simples imagem que circula em alertas, notícias e vídeos de Youtubers, se basta para provocar ansiedade e terror nas crianças. Confrontei-me, recentemente, com a realidade de os meus filhos estarem mais bem informados do que eu, o que resultou em algumas noites agitadas e vários desabafos que considerei tardios.

Devemos temer a disseminação deste tipo de fenómenos, por forma a que estejamos preparados para dar uma resposta cabal, enquanto pais, professores e cuidadores. É imperativo estar um passo à frente na busca de informação e na atenção que damos aos conteúdos a que as nossas crianças têm acesso, num mundo virtual propício a que a loucura se esconda por trás de um perfil anónimo.


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