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NINGUÉM ESCOLHE A DEPRESSÃO

A depressão não é um sinal de fraqueza, nem um estado de espírito que passa; é uma forma de dano cerebral que é transversal a todas as camadas sociais; é uma perturbação do estado do humor que atinge a esfera da capacidade cognitiva, dos interesses, da vontade, dos desejos e da regulação dos instintos. Portugal tem a taxa de depressão mais elevada na Europa e a segunda no mundo afetando mais de 400 mil portugueses.

A Organização Mundial de Saúde (OMS) considera que é a doença que mais contribui para a incapacidade produtiva e estima que mais de 300 milhões de pessoas em todo o mundo sofrem de depressão. A OMS prevê que dentro de dois anos a depressão será a segunda causa de incapacidade geral e dentro de uma década será a primeira causa de mortalidade a nível mundial.

Esta doença que atinge a humanidade desde as suas origens apresenta-se como um estado intenso e pervasivo de sofrimento, que tende a ser recorrente e frequentemente crónico perturbando a vida familiar, o rendimento no trabalho e a própria existência da pessoa. Como as recaídas em estados depressivos ocorrem com elevada frequência é muito importante reconhecer e identificar os primeiros sinais, e procurar de imediato ajuda médica, para se iniciar o tratamento o mais precocemente possível, para não cair em situação de depressão profunda, com sintomas psicóticos, como alucinações e delírios.

Os sintomas da depressão tendem a persistir durante um certo período de tempo e podem surgir sem relação aparente com acontecimentos traumáticos da vida, embora muitas vezes a escuridão depressiva instala-se na vida de uma pessoa e não vai embora ficando apenas para fazer sofrer e atrapalhar o seu viver.  Alguns sintomas mais frequentes, que impedem a pessoa de ter uma vida de acordo com a sua vontade: sensações de aflição e irritabilidade, ideias suicidas; perturbações do sono, do desejo sexual, do apetite, com variações significativas do peso; pessimismo e perda de esperança; sentimentos de tristeza, vazio e aborrecimento; alterações da concentração, memória e raciocínio; perda de interesse e prazer nas atividades diárias.

A depressão é a causa que mais contribui para as mortes por suicídio, que chegam a ser quase um milhão por ano em todo o mundo. As investigações recentes apontam para que a depressão seja uma combinação de fatores genéticos, biológicos, psicológicos e contextuais.

Os acontecimentos traumáticos adversos da vida (problemas familiares, stress, morte de um ente querido, crise financeira) também podem contribuir para o aparecimento da depressão. Os estados depressivos também podem resultar do uso de alguns medicamentes (para a tensão arterial, hormonas e outros) e do uso de substâncias como o álcool e outras drogas.

A depressão não é uma escolha, ninguém escolhe a depressão, ela pode acontecer na vida de todas as pessoas e até pode fazer parte do quadro de outras doenças, como Parkinson, Tiroide, Suprarrenal e outras. A boa notícia é que a depressão, para além de poder ser prevenida também pode ser tratada, com terapêuticas que apresentam elevadas taxas de sucesso.

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