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MAPS – UMA NOVA ESPERANÇA PARA OS JOVENS REFUGIADOS SÍRIOS NO LÍBANO

Costuma-se dizer que das dificuldades nascem as oportunidades. É precisamente isso que está a acontecer com alguns jovens sírios que se encontram refugiados no Líbano. Uma iniciativa educativa colocada ao serviço dos refugiados permite que encontrem uma ocupação e desenvolvam as suas competências para o mercado de trabalho.

Na Síria, a oportunidade de estudarem robótica era simplesmente uma possibilidade extremamente remota .

Agora, no Líbano, muitos deles estão a ter a possibilidade de iniciar um percurso de vida apesar dos poucos conhecimentos que inicialmente tinham em programação ou matemática.

Estima-se que vivam no Líbano 1,5 milhões de refugiados. Destes, cerca de 300.000 são crianças que estão fora do sistema educativo.

A situação para todos os que se encontram no seu país não é muito melhor. Apesar das promessas internacionais de proporcionar uma escola para todas as crianças sírias, as barreiras linguísticas, as propinas proibitivas, e a falta de espaço na sala de aula significam que muitas crianças nunca teriam lugar em nenhuma, deixando-as à mercê do trabalho, ou de um casamento, infantil.

Além dos mais novos, menos de 3% dos sírios com idades entre 15 e 18 anos estão matriculados no ensino secundário, tornando-os alvos principais de radicalização islâmica.

No entanto, conforme referi anteriormente, alguns jovens sírios refugiados na Líbia estão a frequentar a escola através dos Multi Aid Programs (Maps), uma rede constituída por nove escolas que permite a 3.500 crianças sírias estudarem em escolas libanesas.

Fundado pelo neurocirurgião sírio Fadi al-Halabi, o Maps é um programa extremamente inovador: oferece aulas de acordo com o currículo libanês para que os alunos possam integrar o sistema de ensino oficial libanês se tiverem a oportunidade para tal, e também para os professores sírios – agora refugiados – que queira de forma voluntária ministrar aulas (de acordo com a lei do trabalho libanesa, os sírios têm severas restrições para exercer actividade no Líbano).

Num hospital desactivado, que funciona como sede do Maps, antigas salas de preparação e operação de pacientes foram transformadas em «centros de inovação», onde é ensinado robótica, computação, inteligência artificial, e arte e design.

Alguns destes jovens sírios conseguiram já ganhar um prémio entre 600 equipas presentes na competição internacional de robótica da VEX Worlds, realizada nos Estados Unidos da América, mais concretamente em Louisville, no Kentucky.

Em resultado de todo este esforço e sucesso, a University College London, o Institute of Education, e o Institute for Global Prosperity querem trabalhar com a Halabi para desenvolver soluções para migrações em massa que ocorram em qualquer parte do mundo, usando como modelo o Líbano pois naquele país, uma em cada quatro pessoas é um refugiado, a maior proporção em termos globais.

Para os jovens sírios refugiados no Líbano, as aulas ao abrigo do Maps são uma janela crítica para o mundo, uma realidade além da rotina diária no vale de Bekaa, uma zona fértil e poeirenta onde as tendas brancas do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados encontram-se espalhadas ao acaso pela paisagem, juntamente com lavanda selvagem, ruínas romanas e plantações de flores, algodão, trigo e canábis.

O Maps, e os seus cursos, proporcionam a aquisição de competências essenciais para o mercado de trabalho num mundo que às vezes é esmagador e assustador. O que esta iniciativa privada no Líbano está a fazer é dar esperança aos jovens, mantê-los psicologicamente mais saudáveis e acima de tudo, mostrar que os refugiados podem ser uma mais-valia em termos sociais e económicos desde que se invista neles.

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