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Cidadania e Sociedade

O PESO DOS SMARTPHONES NA ECONOMIA GLOBAL

Já todos assistimos a casais que passam jantares inteiros agarrados aos telemóveis jovens em estado de ansiedade quando não recebem notificações durante cinco minutos. Têm sido escritos muitos artigos sobre a nossa dependência destes gadgets eletrónicos, mas não há muita informação sobre o impacto massivo na economia global. Como prometi no último artigo, vou falar-vos um pouco do impacto dos smartphones na economia global. O comércio internacional movimenta milhares de milhões de euros, mas terá atingido o ponto de saturação, o que para as economias mais dependentes, nomeadamente, aquelas que produzem para outros, isso é um enorme problema.

Em 2017, um sexto do crescimento do comércio global deveu-se à compra e venda de smartphones, ano em que foram vendidos 1.5 mil milhões de smartphones. Isto significa, grosso modo, que num só ano, um em cada cinco habitantes do planeta tivesse comprado um! Também não é para admirar, com capacidades de processamento cada vez mais impressionantes, os smartphones vão substituindo os computadores pessoais, que estão em declínio, ao passo que os telemóveis crescem.

Ora, o que acontece é que o comércio destes aparelhos está organizado em complexas cadeias globais , com componentes a virem de dezenas de países diferentes e a propriedade intelectual e a montagem do equipamento pertencem a outros. Segundo o FMI – Fundo Monetário Internacional – os smartphones representam 6% das exportações chinesas, os semicondutores daqueles representam 17% das exportações da Coreia do Sul, enquanto em Taiwan, Malásia e Singapura, as exportações de peças para estes equipamentos representam, 33%, 17% e 16%, respetivamente.

Os números são de facto impressionantes, mas há sinais de que o pico das vendas já passou. No ano passado, as vendas permitiram arrecadar mais receita, mas isso ficou a dever-se ao facto de os telemóveis estarem mais caros. Pela primeira vez, desde que há registo, o número de unidades vendidas foi inferior ao do ano anterior. Os peritos apontam para setembro de 2015 como o pico das vendas. E como se sabe pelo ciclo de vida de um produto, a seguir, vem a queda. A procura de telemóveis seguirá uma lógica de substituição, mais lenta. Isso irá afetar as economias, nomeadamente, aqueles referidos atrás, mas também a Irlanda cujo crescimento, em 2017, 25% se deveu à venda de iPhones porque a Apple escolheu aquele país para se instalar.

Por falar em iPhone, poucos números irritam tanto Donald Trump como o défice da balança comercial dos EUA com a China, de 375 mil milhões de dólares, cerca de 320 mil milhões de euros. Os Smartphones são um dos responsáveis por esse saldo negativo. Embora o iPhone seja um produto americano , a Apple ao produzi-lo nas fábricas chinesas da Foxconn conta como uma importação americana. Um só modelo iPhone pode representar 4.4% do défice comercial dos EUA com a China.

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