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EMIGRANTES VOLTEM ESTÃO “PERDOADOS”

Há uma semana o nosso Primeiro-Ministro na qualidade de Secretário-Geral do Partido Socialista na rentrée política em Caminha apresentou a proposta de incentivo para que os emigrantes voltem. Nas redes sociais e até nos órgãos de comunicação social li muitas criticas e argumentos que nada têm a haver com o desígnio  desta proposta.  Sendo emigrante desde 2014 acho importante partilhar a minha opinião e refutar alguns argumentos que nada têm a ver com esta proposta.

Primeiro argumento debatido é que os portugueses que ficaram e aguentaram a crise, estão a ser tratados como Portugueses de segunda e os que emigraram têm “saldos” no IRS. Se é verdade que o esforço dos Portugueses é meritório e deve ser recompensado, mas a questão não é se o IRS está em saldos, ou se existem portugueses de primeira e segunda, mas sim, ter a noção que devido a uma crise económica em termos mundiais o investimento feito ao longo de quarenta e quatro anos na educação que permitiu ter a geração mais bem qualificada, uma grande parte abandonou Portugal na perspectiva de encontrar desafios à sua altura. Muitos destes jovens abandonaram o País amargurados e revoltados com o País. Esta proposta tem a virtude de sinalizar que Portugal precisa de NÓS e que seremos BEM-VINDOS QUANDO E SE DECIDIRMOS VOLTAR.

Segundo o Relatório do Envelhecimento 2018 elaborado pela Comissão Europeia, Portugal será dos países mais envelhecidos e com a maior redução de residentes em Portugal. Segundo este relatório em 2070 seremos apenas 8 milhões a viver em Portugal, uma redução de 23% e a população activa (15 a 64 anos) será apenas 4,2 milhões em vez dos 6,7 milhões, uma redução superior a 37%. Como consequência o potencial de crescimento da economia portuguesa será o mais baixo da Europa e a destruição de empregos será a maior. A despesa com a saúde em relação ao PIB aumentará de 6% para 8,3%.

Logo se acreditarmos nos dados deste estudo, serão precisas políticas que invertam este cenário. Não só políticas que promovam a natalidade, que estimulem a imigração, mas principalmente com a saída de cerca de meio milhão de portugueses na crise económica mais recente, sendo a sua maioria jovens emigrantes qualificados, muitos deles os seus filhos já nasceram nos países de acolhimento, tornam-se um grupo prioritário para que voltem. Por isso, contrariar o envelhecimento e o decréscimo populacional para o FUTURO DE PORTUGAL E DOS PORTUGUESES É UMA BOA RAZÃO PARA QUE “PERDOARMOS” OS EMIGRANTES PORTUGUESES.

Outro argumento explorado tem sido que a proposta apresentada é insuficiente para que os emigrantes portugueses voltem. É uma grande verdade que os países que acolheram estes emigrantes têm uma economia que torna uma luta desigual para o nosso País. Por exemplo, aqui no Reino Unido uma pessoa como eu engenheiro industrial, se estiver à procura de emprego, respondem-nos em menos de vinte e quatro horas à nossa candidatura e em menos de um mês teremos uma ou mais propostas de emprego. Em Portugal provavelmente a resposta à nossa candidatura quando é feita será de um mês e com sorte encontraremos emprego passado quatro ou mais meses. Também é verdade que aqui o bom trabalhador é atingir os resultados dentro do horário, fomentando o equilíbrio entre trabalho e a família ou lazer. Infelizmente em Portugal a cultura predominante é que o bom funcionário é o que não tem horário de saída e o equilíbrio entre trabalho e família ou lazer é muitas vezes ignorado.

Por isso, têm razão quando argumentam que a proposta apresentada é insuficiente, pois os factores que referi em cima são mais fortes do que qualquer apoio que  o governos possa dar para que os emigrantes voltem. Também é verdade que as propostas apresentadas devem ser melhoradas. Em especial devem abranger todos os emigrantes, não apenas um grupo e deveria ser alargado em termos temporais estes apoios, pois regressar ao País tem que ser planeada e para que haja as condições para o seu regresso será um projecto com a duração de 2 anos . Pois, ninguém é tolo de voltar a Portugal sem emprego, muitos ainda é cedo para o seu regresso e a sua volta seja quando for é importante para o País. Como também acho que deveria haver uma maior aposta para que a segunda geração de portugueses aprenda o português. SE QUEREMOS QUE ALGUM DIA OS PAIS E OS FILHOS VOLTEM A PORTUGAL É ESSENCIAL QUE SE APOSTE NA MAIOR RIQUEZA QUE TEMOS, NA NOSSA LÍNGUA .

Termino este artigo afirmando que será muito importante que seja um desígnio nacional que a emigração muito qualificada volte, não só pela qualificação de excelência que tiveram em Portugal, mas também pela experiência que desenvolveram fora do País, que contribuirá para mudar a nossa atitude, valorizando naquilo que somos bons e melhorar as nossas fraquezas. SÓ POR ISSO VALE A PENA “PERDOAR” OS EMIGRANTES PORTUGUESES.


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