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ARGENTINA E O FMI: A SAGA CONTINUA

Nos últimos anos temos assistido à degradação da economia de alguns países da América do Sul. Disso é exemplo o que sucede no Brasil, mas principalmente na Venezuela. No entanto, um outro país sul-americano encontra-se prestes a ver a sua economia naufragar mais uma vez. Esse país é a Argentina, a segunda maior economia da América do Sul (logo depois do Brasil) e a terceira da América Latina (atrás do Brasil e do México).

A situação financeira do país das pampas é de tal modo aflitiva que o seu presidente, Mauricio Macri, pediu ao Fundo Monetário Internacional (FMI) que adiantasse imediatamente os 50 mil milhões de dólares que estão acordados entre ambas as partes para o resgate financeiro argentino. Tal necessidade prende-se com a falta de confiança dos mercados financeiros na economia do país. Esta verba servirá para garantir o cumprimento das necessidades argentinas para 2019 e foi acordada no início do ano após uma acentuada depreciação da sua moeda, o peso argentino.

O pedido da antecipação da verba destinada ao resgate financeiro tem a intenção de acalmar os investidores, mas aquilo que acontece nos mercados financeiros é uma enorme preocupação sobre a capacidade da Argentina assegurar o cumprimento do pagamento da sua dívida aos credores. Os empréstimos contraídos foram em dólares americanos e a valorização desta moeda, juntamente com o aumento das taxas de juro por parte da Reserva Federal americana, condiciona os pagamentos agendados. Além disso, Macri tenta a todo o custo conseguir a sua reeleição em 2019 e uma política de austeridade era tudo aquilo que menos desejava. Simultaneamente com a antecipação do resgate financeiro por parte do FMI, Mauricio Macri vai aumentar os impostos nas exportações e cortar gastos públicos para reduzir o défice orçamental. Contudo, a maioria dos argentinos tem péssimas recordações do FMI e culpa a instituição de crédito internacional por incentivar a aplicação de políticas que levaram o país, em 2001, à sua pior crise económica de sempre, tendo originado que um em cada cinco argentinos se encontrasse desempregado, e milhões deles caíssem na pobreza. O próprio FMI admitiu que a sua anterior intervenção na Argentina teve uma série de erros que contribuíram para não resolver os problemas que o país enfrentava. Um relatório de 2004 da unidade de auditoria interna do FMI concluiu que a instituição não conseguiu proceder a uma supervisão eficiente e sobrestimou o crescimento e o sucesso das reformas económicas, enquanto continuava a emprestar dinheiro à Argentina tornando a sua dívida insustentável.

O peso argentino está em contínua desvalorização. Isso vai ao encontro do que os economistas há muito argumentavam: a moeda argentina estava sobrevalorizada. O próprio governo de Macri acabou por reconhecer que o peso argentino iria-se depreciar gradualmente ao longo dos anos. O que não contava era com a velocidade estonteante com que caiu face ao dólar americano.

A alta taxa de inflação (30%) da Argentina é um dos factores que tornam o país mais vulnerável do que outras economias emergentes. Durante anos, vários governos populistas imprimiram dinheiro para financiar amplos défices orçamentais, fazendo com que os preços ao consumidor aumentassem. O governo de Macri reduziu essa prática, mas não o suficiente. A queda vertiginosa da taxa de câmbio relativamente ao dólar americano fez com que a inflação acelerasse nos últimos meses.

Numa tentativa de reforçar o peso argentino face à moeda americana, de aumentar as reservas de divisas estrangeiras, e estancar a hemorragia monetária, o banco central da Argentina aumentou a taxa de juro de 45% para 60%, ao mesmo tempo que assumiu o compromisso de a manter neste valor até ao final do ano.

Embora as medidas acelerem o ritmo da austeridade, elas acabaram ficando aquém das expectativas dos mercados internacionais financeiros.

A Argentina enfrenta uma combinação de incerteza financeira, económica e política. Caminha para a total vulnerabilidade financeira depois de ter sido um dos países em destaque dentro daqueles considerados economicamente emergentes. Ao ter contraído empréstimos em dólares americanos, vê-se a braços com enormes dificuldades para os ir pagando em virtude das taxas de juro dos EUA estarem a subir. Mas não é só a Argentina que lida com este problema. Também a Turquia, a África do Sul, a Ucrânia, a Índia e a Indonésia encontram-se em posição periclitante em termos financeiros.

A recessão ameaça duas das principais promessas feitas por Mauricio Macri aquando da sua eleição em 2015: alcançar a «pobreza zero» e criar empregos de qualidade para os argentinos. Contudo, Macri reconheceu no início deste mês que a pobreza provavelmente aumentou devido à inflação e à desaceleração económica, enquanto o número de desempregados começou a subir em Dezembro de 2017. Certamente que os níveis de pobreza irão aumentar devido a toda esta conjuntura, mas o governo de Mauricio Macri comprometeu-se a aumentar os apoios sociais, como por exemplo, todos os que estejam relacionados com as crianças.

A ver vamos.

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