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TODOS NÓS CONHECEMOS UM JOSÉ

O tempo é precioso e o medo faz-nos mover ou congelar; somar o amor e o acolhimento na direcção certa é ficar. O José tem uma história sobre diferentes perspectivas de tempo e medo, com ou sem fronteiras de amor. É um dos mais promissores jovens arquitectos do país e orgulhosamente dependente de Fernando Pessoa na sua pintura artística (especialista em retratar o escritor em performances ao vivo de pintura com os dedos).

Qualquer que seja o lugar, a escrita ocupa-lhe grande parte do dia, alimento do blogue “Sou mesmo José”. Até que um dia resolveu abrir mão da vergonha alheia e partilhou o que sentia. Ainda não sabes, mas ele é adoptado. Daquelas janelas azuis ou verdes – na verdade, nunca sei –  vê-se a mais genuína certeza que o colo existiu sempre – transformando a raiva em doçura, o melhor modo de resgate de si próprio – e ficamos a conhecer uma das mais bonitas histórias de adopção em Portugal na primeira pessoa. É “o sinónimo de esperança e a metáfora limpa de uma adopção não planeada, mas desejada quando teve que ser”.

“sou adoptado e isso não muda a pessoa que sou… não me define… apenas foi algo que aconteceu na minha vida. aliás até posso dizer que foi algo que aconteceu na minha vida… que veio fazer-me ainda mais feliz!”, “por vezes acontecem coisas para as quais não temos explicação. são coisas da vida, que por felicidade ou não… não conseguimos controlar. mas tens que ser forte e pensar que poderia ser bem pior e, dar graças pelo que tens. não tem que ser um fardo o que sentes. pensa nas coisas boas que te aconteceram com a adopção, pensa nas possibilidades que tens… pensa que és especial e que a vida te deu uma segunda oportunidade de ser feliz”.

Fruto da sua perseverança – talvez esta palavra, nos tempos que correm, seja uma das mais importes da vida –, tem planeado e escrito o seu primeiro livro, sobre a adopção na perspectiva do adoptado, “o amor não se escolhe, descobre-se e constrói-se”. Tenho acompanhado os seus relatos apresentados no blogue, recolhidos da sua memória e de vários pontos de vista, são experiências que não existe em fórmula, apenas a experiência de acreditar, apenas o amor num coração puro; com a sua atitude perante as várias situações do dia-a-dia e o simples sorriso.

 O José sabe bem que todos  nós conhecemos um José e a adopção ainda é um assunto frágil em Portugal. Quero tanto ler este livro.

One thought on “TODOS NÓS CONHECEMOS UM JOSÉ

  1. querido Amaro – “a vida é mesmo assim, num dia corres, saltas e sonhas ser parte integrante da vida de alguém… noutro, choras este amor-mútuo”, doravante sabemos sempre o nosso lugar especial. obrigado, até já

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