Cidadania e Sociedade

SER PROFESSOR

Comemora-se hoje o Dia Mundial do Professor e obviamente não fico indiferente a esta data. Não vou focar a “desvalorização” da carreira docente, a luta justa e ética da recuperação dos ditos 9:4:2,  a descriminação entre professores de 2ª e 3ª prioridade, o excesso de trabalho burocrático, as reuniões longas e frequentemente apenas fonte de desarmonia, etc.  Vou realçar o professor como educador de excelência e não apenas instrutor ou formador, vou realçar “aquilo” que nenhuma tecnologia pode dar nem substituir: a humanidade, o afeto, a confiança, a valorização, o acreditar no potencial do outro!

Assim, e em primeiro lugar, quero agradecer a todos os meus professores. Aqueles que motivavam, que me faziam sentir capaz, que suscitavam a minha curiosidade, aqueles que eram exigentes mas o sabiam ser, os que explicavam novamente a matéria não compreendida, os que passavam emoção e entusiamo, os que faziam rir, os que faziam pensar, etc, enfim, aqueles que serviram de referência e me motivaram a ser Professor. Agradecer também aqueles que não tenho como referência, os que chumbavam 100% dos alunos e se elogiavam disso, os que referiam que da minha turma não ia sair “nada de especial”, os que conscientemente não retiravam dúvidas aos alunos, os que não sabiam exigir, os que eram inacessíveis, aqueles que a maioria dos alunos (obviamente) evitava, etc, eles também foram importantes para evitar ser como eles!

Quero agradecer a todos os meus alunos e ex-alunos! As melhores lições de pedagogia aplicada que tive, foram graças a eles! Muito obrigado. Afinal todos sabemos que não é o diploma que faz saber Ser Professor! Comparem caros professores a vossa primeira aula com as aulas de hoje, espero que notem a diferença! Claro que os nossos primeiros alunos levaram com a nossa pior edição! Mas como em qualquer atividade é impossível começar…com experiência! Tal não significa que as primeiras aulas foram erradas cientificamente ou pedagogicamente, apenas que é possível caminhar para a excelência!

A todos os alunos, independentemente da idade, proponho um desafio: Façam o vosso melhor, com paixão… e não parem de evoluir como profissionais e como pessoas! Evoluir intelectualmente e moralmente!

Quero em seguida dar os parabéns a todos os professores que apesar de todas as condicionantes, das colocações a centenas de quilómetros, da separação da família, dos vencimentos reais baixos (inicio de carreira e o quanto custa a subir!), das inúmeras horas de trabalho em casa (tão esquecidas por muitos), continuam a dar o seu melhor em prol dos alunos. Alunos que deveriam ser a parte mais motivante da carreira do professor mas que muitas vezes são o elo mais desmotivante dada a “deseducação” patente neles! Como está emocionalmente o professor perante uma turma de alunos insolentes, agressivos, ameaçadores? Claro que é papel do professor, como facilitador da aprendizagem, orientar, acreditar, valorizar, desafiar e acompanhar os seus alunos, assim como “eduzir” deles todo o seu potencial na construção de um futuro de sucesso e de felicidade.

Quanto impotente é um professor? O que o professor “edifica” na escola não deve ser destruído por toda a sociedade, começando pelos pais, colegas, adultos em geral! Muitas vezes o “único” porto seguro que tem o aluno é o professor! É com ele, que ele apenas É! Pois na vida real tem de utilizar as máscaras de violento, ameaçador, frio, para não sofrer assédio de colegas, pais ou adultos!

Um dos pilares da Educação, segundo a UNESCO, é mesmo “Aprender a Ser”.  Aprender a Ser não pode significar apenas o cumprimento do “Estatuto do Aluno de ensino não superior” ou do Regulamento Interno da Escola! Quanto felizes estão os nossos alunos (e professores)  na Escola? Seria interessante realizar o seguinte exercício: acabem com as faltas na sala de aula! Quantos alunos apareceriam? Já agora acabem também com as ridículas campainhas!

Todos os alunos precisam de ser “cativados,” mas especialmente àqueles cuja escola causa “desconforto”. Enquanto “aprender” não se tornar numa tarefa que dê prazer, que acrescente uma mais valia imediata, (a curto e longo prazo) ao aluno, que promova o “pensar,” o refletir e até o meditar! vamos continuar a ter escolas frias, de formatação de alunos, meros armazéns dos filhos enquanto os pais trabalham, por muita tecnologia que coloquem lá dentro!  A tecnologia não substitui um olhar de confiança, empático e de incentivo do professor!

Todos somos cúmplices e responsáveis pelo estado da nossa sociedade, obviamente uns mais que outros, dependendo da responsabilidade social de cada um!

A escola tem que ser reinventada! Afinal que interessam estatísticas de resultados dos alunos, quando estes (obviamente não todos) continuam com praxes que são oportunidades de exercer o domínio físico e psicológico sobre o outro? Quando estes (não todos obviamente) pensam que diversão é alcoolizarem-se e drogarem-se? Quando estes (não todos, obviamente) confundem afetividade com violações?

“Aprender a Ser”, ou melhor “Aprender a Ser … mais Feliz” tem que ser o compromisso mínimo que o Ministério da Educação tem que ter para com os seus alunos. Esse é o único objetivo da Educação!

Esta é a única possibilidade de “criar” cidadãos livres, autónomos, responsáveis e éticos! A sociedade precisa urgentemente desta mudança.

Caro Professor, apesar de tudo,  sinta “orgulho” na profissão que exerce, afinal esta é e continuará a ser a “mãe” de todas as profissões.


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