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COMPLICAMOS O SIMPLES?

Não sei! Há momentos que acho que sim. É certo que vivemos numa sociedade em que, por mil e uma razões, corre contra o tempo. Mas, e daí? Se nos habituarmos a descomplicar o que for possível e que, por sinal, é imperativo para o nosso equilíbrio emocional, teremos uma melhor qualidade de tempo!

É verdade que também conheço e bem, a necessidade de programarmos o futuro, afinal, a não ser a chuva, claro, “nada cai do céu”. E esta necessidade leva-nos, não raras vezes, por caminhos tortuosos que teremos que percorrer da forma mais airosa e sustentável que conseguirmos. Ao contrário do que aconteceu com a maioria dos nossos antepassados, que tiveram na família o apoio necessário até ao fim dos seus dias, o nosso presente não se compadece do futuro, que, pelas nossas mãos, precisa ser salvaguardado. A vida atual, salvo raras exceções, não pode ser vivida apenas no “hoje”… E ironia do destino. Fomos a geração que mais contribuiu para que tal sucedesse!

Mas, no meio das agruras da sua própria vida, há de facto quem consiga aligeirar as suas vivências, ou pelo menos, viver de uma forma mais descontraída… Logo, supostamente, mais feliz!

Isto vem a propósito de algo ocorrido esta semana. Percorria eu uma das ruas da cidade, em passo rápido porque estava em cima da hora para um compromisso e não gosto de chegar atrasada, quando começo a ouvir uma música alegre que conseguiu tirar-me da minha abstração relativamente ao meio envolvente. E sendo uma música conhecida e que até gosto bastante, dei por mim a trauteá-la mentalmente. Ou seja, por pouco tempo que tenha sido, deixei de lado a possível preocupação e, sem atrasar o passo, aproveitei apenas a alegria da música.

Que foi ficando mais audível à medida que eu avançava pela rua. Nessa altura, já tinha percebido que não tinha origem em nenhum dos prédios, outra das hipóteses seria vir de alguma das viaturas por ali estacionadas, mas de repente o meu olhar fixou o pequeno rádio a pilhas preso a um dos carros de limpeza urbana. Ao lado, um rapaz ainda jovem, com uma expressão serena, varria as folhas que o outono já semeou pelas ruas. Na expressão facial, a leveza de quem executa o seu trabalho sem qualquer carga negativa. E por carga negativa entenda-se: sendo um trabalho tão meritório como qualquer outro, é por vezes bem agreste!

E isto levou-me a pensar na minha própria vida. Se é certo que gosto de ouvir música, e muitas vezes a oiço enquanto trabalho, outras há em que, concentrada no que tenho à frente, sequer me lembro que existe.

E fiz uma promessa a mim própria: descomplicar. A começar, claro, por sempre que possível, permitir-me trabalhar ao som de música e ainda que, nalgumas situações específicas, o nível de concentração possa decrescer… Não será o benefício maior? Caso a pensar!


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