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Cidadania e Sociedade

QUE É FEITO DO AMOR?

Em 2009, os Kasabian lançam o álbum West Ryder Pauper Lunatic Asylum, onde figura a faixa “Where did all the love go” (nota de autor, aconselho a auscultação). Este tema, e acima de tudo este título parece fazer cada vez mais sentido, a cada dia que passa. O amor que inspirou as mais belas poesias, romances, mas também o amor que inspirou a luta de milhões por dignidade e igualdade, o amor que lutou lado a lado pela independência de países…O que é feito do amor? O amor que juntou nobreza e plebeus em amores proibidos de um reino na costa ocidental da Europa e que ainda hoje ecoa por entre paredes de Mosteiros. Que é feito do amor que ajudou a recuperar sociedades e tornar-se símbolo, através de flores, de revoluções pacíficas e com um genuíno sentimento de libertação, de fraternidade e pela concretização do humano enquanto ente social, coletivo e de amor pelo próximo? Falta amor na sociedade, será porventura das maiores e mais inexplicáveis lacunas dos tempos que se vivem. Nunca foi tão acessível termos informação, nunca foi tão simples termos contacto com as pessoas, nunca foi tão fácil a comunicação e, no entanto, em vez de vermos proliferar o amor, sente-se no ar, estranhamente, a falta dele. O amor foi o cimento aglutinador da humanidade. Foi através do desenvolvimento do amor parental que a família passou de uma visão mercantilista de mão de obra necessária, para uma visão de núcleo duro de valores, laços e segurança entre indivíduos. Foi através do amor que se forjaram as mais fortes alianças entre várias famílias permitindo também alcançar entendimentos e superar adversidades.

O amor, desde que o homem evoluiu, tem sido um combustível limpo, duradouro e catalisador de mudança. Mudança profunda, duradoura e genuína. É preciso restaurar o amor, de forma natural, não por decreto, por forma a ser um inquebrantável laço da renovada e eterna aliança, entre homens.

A falta do amor abre espaço à infelicidade, à frustração, à inveja mesquinha, à instabilidade pessoal.

Tais características pessoais, degeneram, em termos coletivos, numa sociedade plena de boçalidade, de comum, de inerte e acéfala. O amor não é o sentimento de mariposas no ventre, é muito mais que isso. O amor é preocupação com o próximo, é o desejo que tudo flua em unidade e reconhecer que essa unidade está presente em tudo e em cada momento, é o reconhecimento máximo pela grandeza que é o ser humano, único capaz de sentir e de expressar, verdadeiramente este sentimento.

Onde reina a boçalidade não há lugar à reflexão. Onde reina o amor, não há lugar à infelicidade.

A sociedade necessita assimilar esta premissa basilar, que lhe é incutida desde a nascença mas que algures no tempo, essa ampulheta frenética e que nos confunde, acabou por permitir que fosse substituído por uma parafernália de sentimentos, muitos deles importados de grão mestres da boçalidade, e que, pouco a pouco, um a um, vão tornando o humano mais pobre, mais reativo, mais intolerante, mais frio, mais violento, mais animal. O ser humano é maravilhoso pela sua capacidade de concretizar pelo bem, não alimentemos esta traidora ambição de nos tornarmos animais.


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