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A MINHA ÚLTIMA CARTA DE AMOR

(Quantas cartas de amor escreveu sem uma circunstância especial? Quantas cartas de amor recebeu?

Às cartas de amor são cedidas as nossas lembranças, a urgência de amar, as vicissitudes dos sorrisos. Apenas ganham vida quando são lidas e guardadas mentalmente (e fisicamente) pela eternidade. As cartas de amor encontram Homens, partilham sonhos, dão lugar a novas vidas, alcançam vontades. As cartas de amor acompanham o crescimento do afecto, como se fossem um porta-voz, quando os olhos ainda não têm coragem de falar, de pedir, de abraçar.

Hoje, ainda se escrevem cartas de amor? O amor é celebrado de outra forma, com outra tinta e num papel já escrito. Inofensivamente as cartas de amor irão findar-se. Os dedos vão deixar de bailar com a caneta e as folhas de papel vão continuar brancas. Agora, vivesse as cartas de amor nas melodias, nas letras das canções, na troca de mensagens virtuais.

Escrevem-se cartas de amor capazes de amar e o seu verdadeiro destinatário não as lê. Será este o verdadeiro significado das cartas de amor? As cartas de amor sustentam a essência da vida, dos sonhos. As cartas são vidas, as nossas vidas. Há apenas um motivo que nos levam a escrever cartas de amor: o AMOR.

Escrevam convictos que em cada caminho escolhido o amor será sempre firme.

A minha última carta de amor.)

“A Ti, Meu Eterno Amor
Hoje escrevo. Pudesse eu escrever-te todos os dias, como um relógio que ponteia cada hora, cada segundo. Meu amor! Mas escrever sobre ti e para ti, corroí-me. Os silêncios são adventícios, mas simplificados. Os meus dias gritam saudade. Já não preciso fingir o impossível; como se fosse fácil fingir quando amamos, quando a saudade se torna um prélio. Mas, hoje renasci. Ressurgi como se tivesse nascido hoje, enquanto o teu sorriso adentrava os todos meus já fenecidos. Enquanto tentava entrar sem pedir pelo teu olhar, envolto no meu. Enquanto sentia que estavas a meu lado. Enquanto ouvia com atenção as tuas palavras, a tua opinião, a tua forma de agir. Enquanto decifrava os teus gestos, só teus.  E o tempo que voou entre nós. Depois o abraço e o Adeus, o beijo e o Adeus; como sempre, o pavoroso Adeus.
Agora, acho que é mesmo Amor. Apercebi-me que é amor, pela mágoa. Afinal, a Saudade também é Amor; é apenas um amor vazio, não de palavras, mas de olhares. Amo-te na minha Saudade.
É difícil compreender os meus próprios receios, aceitar que por vezes somos diferentes, e que o mundo, não gira só para uns, como se fossem a sua única força. São receios que ao longo da vida me tornaram mais frágil. Se alguém proferir que os receios são medos; sim, eu tenho medo, muito medo, de tentar ser feliz, de tanto te amar.
Errei, quando precisavas e eu não estava. Errei, quando eu precisava de ti e aceitava que não estivesses. Errei, porque sempre acreditei que é possível e que existem impossíveis a alcançar e que todo o mundo tem um lado bom (até que se prove o contrário). Se eu alguma vez menti, porque menti, acredita que foi a forma mais sensata de te ver feliz. Tenho medo que o saibas na pior altura, nessa altura em que eu acho que estás verdadeiramente feliz. Agora, não importa. Ou talvez importe tanto que tenho medo de te perder novamente, como já te perdi uma vez.
O passado não guarda o futuro e o futuro não nasce de um passado. Não importa que tenha deixado de saber amar. Não importa que tenha errado tantas vezes, com uma única pessoa, Tu. Ou que tenha sido magoado… por ti. Não importa que tenha vivido momentos frágeis. Importa que cada momento, agora, seja de forma a construir um presente feliz onde possa viver uma nova vida, onde possa aprender novamente o que esqueci, sobre o amor, sobre ti.
Se o fizer, se mudar em mim o meu Eu, que não é o meu verdadeiro Eu, devo-te a ti, por cada palavra de alento; por cada sonho que me fizeste viver; por cada barreira que desenhaste para eu alcançar; por cada abraço dado, por cada carinho demonstrado.
Agora que voltaste, não te quero perder. Amo-te.”

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