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CAMAFEUS ENTRE AS MULHERES

Há “mitos urbanos” que têm que ser desmistificados.
Nunca percebi porque acham os homens – e mesmo algumas, se não mesmo a maioria das mulheres – que estas são mázinhas umas para as outras. Não percebo, mesmo. Chega a haver quem ache que isso lhes é intrínseco, que nascem já com essa condicionante de odiar as suas pares. Obviamente não concordo.

Veja-se, por exemplo, as redes sociais.
Somos inundados diariamente por fotos e auto-fotos (leia-se “selfies”) ao espelho, no elevador, no carro, na esplanada, a cozinhar e a estender a roupa, de mulheres e homens, indiferentemente. Na democracia da imagem, gente de todos os estereótipos físicos aparece mais ou menos sorridente, mais ou menos espontâneo, mais ou menos surpreendido. E é por isso que não consigo compreender. Mulheres de todo o género, feias, bonitas, magras, gordas, altas, baixas, com rugas, ramelosas ou a dever visitas ao cabeleireiro, bem ou mal vestidas, vulgares ou requintadas, todas elas nos entram olhos a dentro. E sempre, repito, sempre, e baseio nisso a minha opinião, há amigas várias a dizer “Estás linda, Asdrubalina!”. Ou “Linda como sempre!”.

Ou mesmo “Uau, nem pareces tu!”. Esta causa-me alguma dúvida porque, de facto, até parece um elogio, mas o que significa é estás linda na foto, mas usualmente pareces um camafeu daqueles bem feios. Esta palavra – camafeu – também me confunde, porque os camafeus são também os rostos femininos usados em jóias. Ora, ninguém quer usar jóias feias. Ou com rostos de gente feia. Bem, enfim, pensarei nisso mais tarde. Dizia eu, que já me estou a perder no assunto, que qualquer que seja a foto, com estética mais ou menos apurada, há sempre elogios vários da parte não só dos homens, que ninguém questiona, mas sobretudo das mulheres, amigas e familiares, presumo.

Ora isso leva-nos a outro nível de questionamento: se poucos serão os casos de “bela sem senão”, de gente perfeita e em perfeito momento captado, essa generosidade de comentários favoráveis só pode significar uma coisa: as mulheres têm uma capacidade intrínseca (esta sim), de verem para além dos defeitos alheios e concentrarem-se parcialmente num detalhe da beleza externa ou interna. Só assim se explica que se apaixonem por alguns homens que… valha-nos Deus! Adiante.

Voltando ao assunto, isto é a prova de que não são mesquinhas com rídulas ou manchas, ou papos, ou pneuzinhos ou ossinhos a aparecer. Que conseguem ver naquele sorriso ou naqueles olhos muito mais do que o óbvio, e vão à essência do que cada uma delas significa, como amiga, companheira, ou simplesmente alguém que admiram por motivos vários. Parece-me então óbvio que declarar-se que as mulheres são más é de uma injustiça enorme. Poderíamos discutir se essa visão magnânima é limitada àquelas de quem gostam. Mas parece-me que não. Podem achar alguém muito belo, mas ainda assim não gostarem da pessoa. Mas se calhar sou eu a ser generosa. Ou o amor é cego, sim, talvez.

Com isto tudo, e tendo o prazer de conviver diariamente, real ou virtualmente, com mulheres representativas de vários tipos, apenas posso ficar muito aliviada por não me relacionar com gente feia. Assim, posso dizer, livre e sinceramente, que está bonita, ou que aquela vestimenta a favorece, ou que o novo penteado é mesmo a cara dela. Podem acreditar no que digo. Considerando que verifico a minha miopia regularmente, e, portanto, as minhas capacidades de observação estão em pleno, agradeço o facto de só ter pessoas lindas por perto, mulheres, no caso, porque ser-me-ia muito difícil mentir.

“Quem possui a faculdade de ver a beleza, não envelhece.”

Franz Kafka

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