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AS PESSOAS, NO MEU TEMPO, NÃO ERAM ASSIM

Lembro-me de um planeta Terra onde os seus habitantes de espécie humana interagiam diretamente e presencialmente entre eles, como qualquer outra espécie. Algo que era normal, que era essencial para a criação de laços eternos, servindo de elemento basilar do nosso quotidiano.  Com o passar do tempo, com o desenvolvimento feroz de mais e mais tecnologias, as bases vão se tornando mais frágeis, criando falhas na nossa identidade e acentuando um dos principais defeitos da raça humana: o facilitismo.

Permitam-me utilizar este espaço como veículo principal de uma síndrome comum em todos nós, intitulada de: “No meu tempo, não era nada disto”. Recordo com imensa felicidade a minha infância. Numa altura em que o mundo atravessava por um período transitivo entre o milénio passado e o novo mundo tecnológico, relembro com um sorriso rasgado, todo o contacto humano que vivenciava. As pessoas adultas a falarem diariamente com os vizinhos, para perceberem o que se tinha passado na vila durante aquele dia. Os miúdos a jogar futebol na rua e a conviverem “ao vivo”. Ai, como era bonito…

Claro que, como criança, existiam imensas coisas no mundo dos adultos, que eu não entendia. Aliás, nem fazia parte do pensamento diário de aproveitar todas as gotas de felicidade restantes para todos nós. Mas ainda bem que assim era! Num mundo contaminado, o ignorante é sempre o mais feliz, porque sabe somente o que precisa.

Hoje em dia, vivemos num autêntico paradoxo comunicativo. Supostamente, estamos em constante evolução, contudo, cada vez mais falamos como primatas, com todo o respeito por este Ser puro. Com as mil e uma maneiras que existem de “conversarmos” uns com os outros, cada vez mais usamos sorrisos e gestos virtuais que nos impedem de conhecer verdadeiramente o que as pessoas realmente valem e falamos meramente com hipóteses, com ilusões do que gostaríamos de ver do outro lado do espelho.

Num universo industrial, claro que faz todo o sentido utilizar todas estas plataformas conversativas para fabricarmos a pessoa que queremos. Assim as diferenças entre o Homem e a Máquina tornam-se cada vez mais impercetíveis. Humano sem “ser” é somente matéria…

Se queremos realmente evoluir, a procura pelo contacto deve ser eterna e interminável. Usar todas as plataformas tecnológicas ao nosso dispor para o que realmente precisamos: encontrar amigos de uma outra era; combinar umas jantaradas e umas futeboladas; recordar momentos onde fomos felizes, enfim, tanta coisa boa para fazer e trazer cada vez mais contacto e ligações verdadeiras entre todos nós, que somos homosapiens de nascença e cyborgs futuros, no presente.

Ter mais não é sinónimo de Ser mais. A diferença é só uma letra, o significado da importância é Só Uma Vida…

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