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Cultura, Literatura e Filosofia

A ALDEIA QUE EM MIM HABITA SOLDO DÉCIMO QUINTO

Esteira, a ré, desenhada. Em ombros meus, asas da ponte, outra, silencio-me perante um caudal que permite partes nossas deitar em salgado regaço, que ainda nos acolhe.
Viva prova de que a aldeia em nós habita e a capacidade de pelos elos que a ela nos ligam, nos territorializar em espaço qualquer. Em nós reside todo o absorvido.
Nunca os reencontros tamanho sentido tiveram. Não me permito volver tamanha certeza. Impõe-se-me impossibilidade esta perante uma prática que nos sussurra na não desértica existência, que em coletivo não se acobarda, ante o centrípeto a que a individualidade se remete, num falecimento progressivo, engelhado, presságio de não querer a outrem pertencer, mesmo que seguro da não perda do que o identifica, de sagaz vulnerabilidade.
Não nos cruzamos com perda emocional tal. Acreditem. Falo-vos de vários que abraço e que na singular arquitetura do gesto não tributam locomoção sua. Não se escondendo em subcutâneo algum, partilham o que lhes urge expandir para um sistema de não defesa de quem, categoricamente, não mendiga, esticado o coração, preso por aorta, erudição que o obnubile. Distanciamento impraticável do que do apropinquar, com singular subtileza, se insurgiu, desembocando num espaço que em matéria de pontuação, reticências não outorga.
Há um pontuar de cada momento por nós vivenciado, imensas as vezes inenarráveis, quando de livro em riste, folheando, pretendemos expressar o porquê de uma entrega que, total não se fazendo, apresenta uma sobriedade que no recolher de velas, vento a favor nosso, nos permite uma navegação transparente. Prenúncio de uma candura desdobrada nos momentos que nos atribuem a sentimental anarquia, subjacente à saudade que desemboca no instante em que o estarmos se corporiza.
Reencontros, preparem-se para um sem número do que sinto querer repetir, até no mudo silêncio que persiste, cansaço algum, que carris ajustam à realidade musculando pensamento nosso. O possível, aliando à vontade de concretizar o fundir de emotivas erupções.
Quarteladas que extensão dão aos elos que nos ligam. Não outros. Moldes de. Dos mesmos falamos. Sentimo-los, no suave toque que permissão dá ao perpetuar de peculiar significado, subtileza somada ao momento, carecendo não da consistência de cada protuberância menos visível, certo que remendo nenhum.
E no caminho que ladeados percorremos, distintas as ruelas, pensamentos as pálpebras nos beijam. Não olhamos para este selar de confiança com o rubor tão digno da sua insurreição. Apesar de fechados, luz outra, de eterna jovialidade apetrechada, insinua-se assim que contacto mantido.
Palavras que o silêncio demitem do seu posto de trabalho, cirúrgico cuidado na rescisão, mesmo que sindicato se insurja, impossível considerado, não vá à condição de obsoleto o reduzir.
Vezes em aldeão solo, outras na extensão deste, seja a distância atribuída, ou formas que definem local onde nos encontramos. A jusante, o mesmo. Se busílis possível, eis-nos perante ele.
Voltamos aos abraços que em silêncio insisto e que vos acompanham, mesmo que só rasando em palavras, mães, que alimentam a fulguração de sentimentos que, abruptamente, nos sugerem outonal final. Truncado. Tornou-se-me imprescindível esta certeza no caminho que percorro, seja para marcação verde ou vermelha.
Sabemos que cedo rumamos a coletivo ponto. Aquele que nos fez crescer quando tudo já parece um mundo de adultos, não admitindo parto outro. Não carecemos de estudos de doutos nas artes da amizade para, de forma lúcida, concluirmos aquilo que verosímil se vivencia.
Preguiça nenhuma, em nós desperta o feérico sentimento de pertença ao espaço que, neste momento, nos abraça. Sentados, gracejamos, na imensidão do drama de muitos, não o banalizando, mas como que intercedendo num destino que não o é, elucidando para possibilidades outras de convivência, que não o derrame sôfrego, extenuante, hirsuto, celibatário de uma esperança que se blimunda quando o sonho persiste e nas malaguetas de um leme nos permite,  perentoriamente, agarrar.
Casas que de simplicidade torneadas são, olham-nos. Pequenas janelas se abrem, desimpedido o caminho para cromáticas folhas que, com subtileza, se apresentam à densidade do ar que em suas coreografias se tenta impor, sem problemas de consciência no que então vestiam.
Do seu interior, a sua continuidade. Vezes muitas tenho em que me deixo levar por pensamentos que defendem, com acuidade, que são estas pessoas o alicerce do que em lares se dimensiona. São as casas a continuidade dos homens no que os significa, em comunidade. Possível ferro, lançado a fundeadouro este, singular em muito, de quarteladas que se fazem casas e, apesar de ruas que as separam, os elos não-distância determinam.
Terra prenha de batimentos nossos que estando em pés, rebaixados não significa, diminuindo nada o periclitante fervor que nos magnetiza para a proximidade do núcleo. Tocam um chão que não se retira como tapete por outrem, quando desprevenidos, distraídos, nos encontram. Aqui como que nos guia num império dos afetos despido de trono. Não se arquitetam fronteiras. Equidistantes os locais que nos recebem, chão o mesmo. Logo, sentir, o mesmo.
No solo as mãos, apurado o olfato, molhada terra esta de marejados olhos nossos. Sentido dá ao que escrevemos com os gestos que permeamos e partilhamos. Forma outra de nos remeter onde fisicamente, também, já pertencemos.
Mesmo quando não lá, o reencontrar de quem à aldeia sempre volta, não indo. O que nos une, o que de lá trazemos, o querer continuar. Só assim sentido faz. A amizade que a aldeia semeou, potenciou e nunca os filhos vestindo antes da saída de portas suas, indicando mundo outro que lá fora se apropria e adultera o que sentido foi, sua pele se fez. Não outra. A mesma. De impropérios, novel se levanta e cama faz. Lençóis onde soldo impulso algum tem.
O estar lá, não estando. Quando família formada pelo que afetivamente e de camaradagem nos transmitiram, pauperismo nenhum, na amizade que se expande em interna e externa geografias, reconstruindo atlas que se alimenta de um reconhecido pluralismo. Reticência nenhuma perante incisiva ação. Queixumes havendo, de cavernosa noção de comunidade somente possível, que não esta. Firme vos garanto.
Aquilo que da aldeia trazemos e nos indumenta, parte faz, como que cada um de nós uma pequena casa fosse, ampliando o ser-aldeia em terra nossa, natal, de nascimento primeiro.
Percebem assim que a distância desagua no esquecimento. Chamemos-lhe natural seleção, consequente de uma prática habitacional emotiva, daqueles que de voluntarismo se munem para nutridos serem. Artesãos outros da mesma aldeia que partilha as ferramentas para o dignificar de humano ser, na horizontalidade dos seus direitos.
De maleitas curado, em todos os estágios, possíveis de absorção nossa perante a radicalidade do discurso que sombreia o que na simplicidade se faz sentir, pelas fluídas disponibilidade e vontade, seguimos para a prorrogação do assinado com os afetos que embarcam nesta forma de estar perante o Outro, jamais esgotando verba sua de respeito pelos que a esta guarnição sentem dever pertencer.
Uma vez a bordo, missão a mesma, certos das latitudes e longitudes que, em gerais exercícios, impossibilitam o nosso sucumbir à condição de inoperacional.
Há um treino que não se satisfaz com pontuações, reduzidas a tabelas e tempos, onde a mecanização se transforma em ideologia, oca de social variável, vagas sentidas não no través que relembra a imprevisibilidade da ação de outrem, mesmo quando a natural fenómeno nos referimos.
Périplo que à clausura condena receio de um fado que se insinua despótico. Não permitimos regime na bravura que águas estas de nós pretendem, mesmo que em mar chão se apresente.
Talvez sejamos as inúmeras embarcações que navegam num mar-aldeia, revestidos de vigia única, possível de curioso habitante-habitado perceber um pouco mais do sentimento que nos une, em dicionário não submetido, deixando à sensibilidade de cada um a possibilidade de exercitar esboços de definição possível.
Navegamos. Em muito. A este porto certo é voltarmos, nunca descurando qualquer missão a nós atribuída, pela necessidade de já não em duas linhas escrever a palavra esperança.
No cais, onde se estendem quem de um novo último abraço não prescinde, dos cabeços aliviam os cabos que até então demonstravam a tenaz amarração que nos labora, como que nós arte sua.
Lágrimas que se retêm, não querendo guarda baixar, pelo menos enquanto o acreditar de novo atracar límpido persistir.
Quanta afetiva sapiência cabe na frase-despedida de Lucinda, vai com deus, que deus te ajude. Se atentos estiverem, escutem povo este. Neles ecoa, também. Fruto da existência, da experiência, num mundo onde as pessoas infligem em si os maiores golpes que escrito foi para outros que mal lhes quisera.
Tamanho o derrame do que sinto que parágrafo único, estanque, tempestuoso, voraz, nele tudo albergaria. Pontuação pouca, respiração minha mimetizando. Ofegante.
A jusante do pensamento que me decora, acho que o mar me lê. Folheia o que penso e sinto. Toque seu representa a intensidade que salgado leitor deposita nas palavras que sorve, na vaga que as indisciplina.

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