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Saúde e Vida

CANNABIS É DROGA!

A Cannabis é utilizada para fins terapêuticos e fins recreativos.

Relativamente aos fins terapêuticos há alguma evidência da sua eficácia no alívio da dor crónica em adultos, das náuseas e vómitos associados aos tratamentos oncológicos, mas estamos a falar de fins medicinais, ou seja medicamentos, tais como são usadas outras drogas da mesma forma, mas que deverão sempre ser monitorizadas e muito vigiadas pelos médicos, e haver uma prescrição rigorosa e em casos muito concretos.

O maior problema surge quando os consumidores de Cannabis com fins recreativos usam a “bandeira” de que não faz mal, e até tem uso medicinal… ERRADO!!

Tendo como fonte o SICAD – Serviço de Intervenção nos Comportamentos Aditivos e nas Dependências, Cannabis pode ser consumida de 3 formas:

  1. “Marijuana ou Erva” – Preparada a partir das folhas secas, flores e pequenos troncos da planta.
  2. “Haxixe” – Prepara-se prensando a resina da planta fêmea e se transforma numa barra de cor castanha, com o nome coloquial de “Chamom”. O seu conteúdo em THC (até 20%) é superior ao da Marijuana (de 5% a 10%), pelo que a sua toxicidade é potencialmente maior.
  3. “Óleo de Cannabis ou Óleo de Haxixe” – Líquido concentrado que se obtém misturando a resina com um dissolvente, como a acetona, o álcool ou a gasolina. Este evapora-se em grande medida e dá lugar a uma mistura viscosa, cujas quantidades em THC são muito elevadas (até 85%).

Normalmente fuma-se misturada com tabaco em forma de cigarros feitos à mão, sendo esta a forma de administração mais comum, o chamado “Charro”.

Deve-se também chamar à atenção que esta é a droga que permanece mais tempo no organismo, sendo detetável através de análises, durante vários dias, ou mesmo semanas. Após o consumo, os efeitos começam-se a sentir rapidamente, apenas em minutos e duram aproximadamente 3 a 6 horas, no entanto, e dependendo da quantidade de THC da planta, estes podem durar até 24 horas.

A principal substancia psicoactiva da planta da Cannabis é o tetrahidrocanabinol (THC), a qual desde a sua identificação até aos nossos dias, e com manipulações na planta tornaram mais potentes os efeitos do THC, aumentando a concentração do mesmo na cannabis, sendo que as estimativas apontam para um aumento de concentrações de 4% para 16 a 20%, ou seja um aumento significativo, o que poderá estar associado a maior nocividade para o consumidor e aumento de consumidores com manifestos sintomas de dependência. 

O uso regular de cannabis pode ser visto como uma forma de dependência, sendo para algumas pessoas difícil parar os consumos, mesmo quando se está em negação da dependência, não se assumindo que esta situação está a acontecer, o que é muito usual, bem como minimizar os consumos e seus efeitos.

Ora os efeitos podem ser agudos ou crónicos:

1.  Agudos/Imediatos– que estão divididos em (fonte SICAD):

  • Sintomas físicos: Aumento da frequência cardíaca; Aumento da pressão arterial sistólica quando se está deitado e a sua diminuição quando se está de pé; Aumento da pressão arterial sistólica quando se está deitado e a sua diminuição quando se está de pé; Congestão dos vasos conjuntivais (olhos vermelhos); Dilatação dos brônquios; Diminuição da pressão intraocular; Fotofobia; Tosse; Diminuição do lacrimejo.
  • Sintomas psíquicos: Euforia, que aparece minutos depois do consumo; Sonolência; Fragmentação dos pensamentos e podem surgir ideias paranoides; Intensificação da consciência sensorial, maior sensibilidade aos estímulos externos; Instabilidade no andar; Ação antiemética; Alteração da memória imediata, assim como da capacidade para a realização de tarefas que requeiram operações múltiplas e variadas, juntando-se a isto reações mais lentas e um défice na aptidão motora, que persistem até 12 horas após o consumo. Isto provoca uma considerável interferência na capacidade de condução de veículos e outras máquinas.

        2Crónicos/Longo prazo – défices de memória e aprendizagem, diminuição progressiva da motivação, agravamento de doença psiquiátrica preexistente, náusea e fadiga crónicas, letargia, infecções pulmonares frequentes, risco de contrair cancro do pulmão é maior, descoordenação motora, irritabilidade e diminuição da líbido e satisfação sexual. Pode provocar “síndrome amotivacional”, que se traduz em apatia, deterioração dos hábitos pessoais, isolamento, passividade e tendência para a distração.

    Existe potencial de dependência, e provoca uma síndrome de abstinência (ansiedade, irritação, transpiração, tremores, dores musculares). A tolerância só ocorre nos grandes consumidores.
    Está ainda comprovada a neurotoxicidade associada a esta substância, sabendo-se que a cannabis pode induzir sintomas psicóticos transitórios em indivíduos saudáveis, ou seja, sem doença psiquiátrica subjacente, existindo mesmo dados epidemiológicos dum estudo recente levado a cabo pela Organização Mundial de Saúde (OMS) que associam a um consumo crónico o dobro do risco de desenvolver sintomas psicóticos e doença psicótica, bem como um maior risco de surto psicótico.
    O THC provoca ainda sintomas tais como delírio paranóide, desconfiança, fragmentação do pensamento, alterações da perceção e ainda despersonalização e desrealização e desinvestimento quer no próprio indivíduo quer nas suas atividades habituais, que pode ser reversível com a abstinência a longo prazo.
    Não podemos afirmar que todos os consumidores vivenciam sintomas psicóticos e muito menos que desenvolvem uma perturbação psicótica, há claro fatores que em combinação com este consumo que tornam os indivíduos mais suscetíveis à psicose, destacando-se: a idade de início dos consumos, o período e a carga da exposição e factores de vulnerabilidade preexistentes, nomeadamente genético.
    Por último importa ressalvar que a população mais atingida são os adolescentes, são o grupo de risco mesmo estando informados e sabendo que o consumo é um comportamento prejudicial, há uma discrepância entre a informação e o comportamento que adotam, pelo que é de extrema importância intervenção junto desta população com ações de formação para sensibilização e modificação de comportamentos.

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