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Cultura, Literatura e Filosofia

A SUBVALORIZAÇÃO DA CRIATIVIDADE

No dia em que a vida me empurrou e me obrigou a encarar uma mudança que vinha a adiar há anos, vi-me obrigada a recorrer a uma competência que é subvalorizada: a criatividade.

Porque é que a criatividade é subvalorizada, se ela é uma competência chave em várias áreas da vida? Num momento de aflição, de procura de emprego ou num momento em que temos um problema em mãos para resolver, é ela que nos pode salvar. O principal problema é que as crianças não são incentivadas a criar desde tenra idade.

Percebo isso quando a vida me obriga a encontrar uma alternativa para ganhar dinheiro e recorro à criatividade para acrescentar algo a uma sociedade absorta. Crio um Workshop de Escrita Criativa para crianças, que tem uma excelente aceitação por parte dos espaços que contactei. Em relação aos pais, não poderei dizer o mesmo. Não é que o workshop seja caro ou me vá fazer enriquecer, é mesmo uma questão de crise na gestão das prioridades, do dinheiro e do tempo das crianças.

Por um lado, há uma sobrecarga de atividades na rotina dos mais novos, por outro as atividades “intelectuais” ainda ficam bastante aquém na lista de prioridades quando comparadas com atividades desportivas. Se exercitar o corpo é importante? Absolutamente. E o cérebro? A escola pode não ser suficiente quando deixa pouco espaço para a criatividade e para uma aprendizagem mais lúdica. Nunca vi pais preocupados em proporcionar às crianças um contacto com a meditação, por exemplo. Os nossos filhos crescem com o preconceito de que apenas o exercício do corpo é importante e não os preparamos para a resolução criativa dos problemas com os quais se deparam, para que aprendam a lidar com situações de stresse e ansiedade.

O resultado? Crianças ansiosas e adolescentes com ataques de pânico. Infelizmente, refleti sobre este tema num momento em que eu própria me debato com uma situação de ansiedade extrema do meu filho.

Vale a pena pensar sobre isto. Vale a pena preparar o corpo e a mente dos nossos filhos para gerir as emoções, numa sociedade competitiva e que parece caminhar para a robotização.


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