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Cidadania e Sociedade

CONSTRUAM-ME, PORRA!

O Prós e Contras de ontem, segunda-feira, debateu o novo aeroporto de média dimensão que o governo pretende construir na atual base aérea número 6 do Montijo, para servir como apoio ao aeroporto da Portela, cuja capacidade está no limite e em saturação. A ANA será a dona da obra e pagará a mesma, assim como a ampliação da Portela. Pelo que percebi, tudo se encaminha para que os contribuintes paguem zero pelas obras, sendo que será a ANA que tem concessão até 2062, a suportá-las.
Portugal perde um milhão de turistas por ano por causa do aeroporto de Lisboa. O
Presidente da Confederação do Turismo de Portugal, Francisco Calheiros, no passado dia 16 de Julho disse ao “Público” ,”que todos os dias estão a ser recusados novos voos por falta de capacidade da infraestrutura aeroportuária. Os efeitos que a perda de um milhão de turistas por ano, tem na economia portuguesa, são inimagináveis.
Hoje apareceu um senhor engenheiro do LNEC a pôr em causa o Montijo, ou porque não se sabe se Montijo é mais barato que Alcochete, ou por isto, ou por aquilo. No início do programa apareceu um pescador, a queixar-se que, com o aeroporto do Montijo , provavelmente  iria deixar de pescar “corvinas”, ou outro convidado a referir que o Montijo não terá segurança, ou ainda outro, a referir que o aeroporto prejudica o meio ambiente e o sossego das aves.
Em resumo: uma obra, qualquer obra, tem sempre impactos de caráter ambiental, maiores ou menores. O “fadário português” é que andamos desde 2001, a falar num novo aeroporto que nunca saiu do papel e que é um hino à falta de planeamento nacional e falta de visão de futuro. Perdemos muitos milhões em fundos comunitários e o financiamento de 75% da obra, com o argumento de que esta era uma obra “megalómana”. Agora que existe urgência na sua construção, e a obra não terá custos para o erário público, arranjam-se outros argumentos para que à boa maneira portuguesa, não se faça nada e continue tudo “em águas de bacalhau”. A frase que foi pintada numa pedra junto ao Alqueva até à construção da barragem (que demorou mais de 20 anos), que mudou completamente o Alentejo em termos turísticos e agrícolas, adapta-se na perfeição aos atrasos lusos na construção do novo aeroporto de Lisboa:
“Construam-me porra!”

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