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CÓLICAS INFANTIS, COM AMOR

Não haverá nada mais maravilhoso na vida de um casal do que a vinda de um bebé. Contudo, os primeiros tempos poderão ser extremamente cansativos, não só pelo aparecimento de novas rotinas mas também se surgirem cólicas. Mas tal como á nova criança do casal, é necessário também saber tratar as cólicas com amor.

As cólicas infantis manifestam-se através do choro. Choro esse que, por vezes é inconsolável e que deixa a todos exaustos, tanto os pais como o bebé. Nem sempre tem uma causa directa e parece que é multifactorial, resultado de vários problemas associados principalmente á imaturidade do sistema digestivo e ou, segundo a abordagem da Osteopatia, a tensões aplicadas ao bebé pelo processo de parto ou maus posicionamentos dentro do útero.

O surgir das cólicas ocorre habitualmente nas primeiras semanas de vida e terminam por volta dos 4 a 5 meses (Dobson et al., 2012Sung, 2018). É uma situação benigna que ocorre em bebés saudáveis.

Para a sua causa, embora não seja totalmente evidente, existe um consenso que seja o resultado de problemas no sistema digestivo ainda imaturo. Essa imaturidade poderá estar ligada a uma flora intestinal (microbioma) pouco amadurecida, porque bebés com cólicas apresentam uma grande diferença nessa mesma flora em relação aos seus semelhantes sem sintomas (Sung, 2018). Para além disso, existem também maiores marcadores inflamatórios no intestino de bébés com cólicas (Sung, 2018). Nesta última situação, poder-se-á comparar ao cólon irritável num adulto, com a agravante de que os bebés têm uma menor tolerância aos estímulos, nomeadamente os dolorosos.

A Osteopatia parte do pressuposto de que um mau posicionamento no útero e processo de parto pode criar perturbações e tensões a nível da coluna cervical e crânio (Dobson et al., 2012). Estas perturbações traduzem-se depois em tensões que podem ser desconfortáveis para o bebé ou irritar o nervo vago, que enerva o intestino (Carreiro, 2003).

O tratamento com terapias manipulativas, nomeadamente Osteopatia pode ser uma estratégia para lidar com as cólicas. Normalmente é executado através de massagens gentis no sentido a aliviar as mesmas tensões resultantes de maus posicionamentos uterino e do parto, contribuindo para a redução do desconforto do bebé. Os resultados são positivos na diminuição dos períodos de choro mas sem efeito na completa resolução da condição (Carnes, Plunkett, Ellwood, & Miles, 2018Dobson et al., 2012).

Segundo a literatura, sendo as cólicas uma condição benigna, o importante é, com a ajuda do Pediatra, diferenciar uma possível causa como: refluxo gastro esofágico, intolerância á proteína do leite de vaca ou dificuldade em produzir quantidades necessárias de láctase, enzima que digere o leite.

É também importante informar os pais de que esta é uma condição que irá desaparecer entre os 4 e 5 meses. Nessa altura, haverá tempo para que a flora intestinal se organize e estabilize, aumente a produção de enzimas para digerir correctamente o leite e a própria motilidade intestinal (movimentos intestinais) estejam normalizados.

A Osteopatia pode ajudar neste período, reduzindo o desconforto do bebé, isso justifica a diminuição dos períodos de choro. Também as estratégias que podem ser usadas para lidar com a situação dotam os pais de autonomia e confiança, diminuindo a ansiedade e a probabilidade de sofrer de depressão pós-parto (Daelemans, Peeters, Hauser, & Vandenplas, 2018).

Antigamente, não se falava tanto de cólicas pois havia uma família alargada que ajudava a recém mãe a cuidar do bebé e lhe dava um suporte a todos os níveis (Dobson et al., 2012). Contudo, independentemente de como a sociedade se organiza actualmente, é importante devolver essa sensação de tranquilidade aos pais que permite reduzir os níveis de ansiedade.

Compreender este processo e saber como actuar parece ser o que reúne mais consenso na literatura. A Osteopatia poderá ajudar a diminuir o desconforto do bebé, o médico Pediatra no diagnóstico diferencial e tratamento de patologias associadas e os pais que consigam lidar com a situação em tranquilidade.

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Bibliografia
Carnes, D., Plunkett, A., Ellwood, J., & Miles, C. (2018). Manual therapy for unsettled, distressed and excessively crying infants: a systematic review and meta-analyses. BMJ Open, 8(1)
Carreiro, J. (2003). An Osteopathic approach to children: Churchill Livingstone.
Daelemans, S., Peeters, L., Hauser, B., & Vandenplas, Y. (2018). Recent advances in understanding and managing infantile colic. F1000Res, 7.
Dobson, D., Lucassen, P. L., Miller, J. J., Vlieger, A. M., Prescott, P., & Lewith, G. (2012). Manipulative therapies for infantile colic. Cochrane Database Syst Rev, 12,
Sung, V. (2018). Infantile colic. Aust Prescr, 41(4), 105-110.

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