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Saúde e Vida

MORINGA: A ÁRVORE MÁGICA

Néne badage é como se chama na Guiné-Bissau, terra bela onde há uns anos conheci a “incrível, fantástica e extraordinária” Moringa (Moringa oleifera), também apelidada de árvore da vida, árvore milagrosa ou árvore mágica. E, sem exageros, ela é tudo isto.

Gosto de tratá-la por mágica, e a sua maior magia é o seu potencial como “arma” de luta contra a fome (todas as formas de malnutrição) em todos os países onde este flagelo persiste.  Curiosamente, pela Guiné-Bissau ainda não a usam como merece ser usada; já pela Europa, e em Portugal, inunda a seccção de produtos naturais como um dos super-alimentos do momento.

Originária da Índia, a Moringa cresce bem em zonas tropicais, estando actualmente espalhada um pouco por toda a África e também América do Sul; é, pois, de crescimento fácil e bem adaptada a este clima. O seu uso remonta à antiguidade e durante séculos, em muitas culturas, além de ser consumida como vegetal nos cozinhados, era sobretudo usada pelos seus benefícios na saúde, sendo o apelido “milagrosa” derivado dos poderes excepcionais de cura que lhe eram atribuídos nas mais variadas doenças. Infecções de pele, anemia, fadiga, depressão, asma, enxaqueca, constipação, cólera, são algumas de muitas situações em que a Moringa era utilizada. Descobriu-se, entretanto, que já os egípcios usavam o seu óleo para embelezamento da pele. Tais propriedades, aclamadas pelos antigos com base na sua experiência, são agora, a pouco e pouco, comprovadas pela ciência, estendendo a sua aplicação à prevenção ou auxílio do tratamento da diabetes, hipertensão arterial, colesterol elevado, transtornos digestivos, doenças inflamatórias, entre outras patologias.

A Moringa apresenta, de facto, um valor nutritivo anormal (no melhor sentido que a palavra possa ter em nutrição), não só contendo variados nutrientes essenciais, como também porções estranhamente elevadas destes nutrientes, desde vitaminas, minerais, aminoácidos, antioxidantes e óleos ómega 3 e 6, entre outros compostos. Além da folha, todas as partes da planta têm sido estudadas, desde sementes, frutos, flores, casca e raízes e, supreendentemente, todos têm pelo menos um, ou mais, nutrientes beneficos. É este conteúdo nutricional o responsável pela sua actividade medicinal, riqueza alimentar e propriedades terapêuticas, no entando, tantos antributos num só alimento são de tal forma incomuns que a planta foi aclamada como a planta mais rica em nutrientes alguma vez decoberta. Como exemplo, refira-se que 100g de folha de moringa em pó contêm:

– 10 vezes mais vitamina A que a cenoura;

– 12 vezes mais vitamina C que a laranja;

– 17 vezes mais cálcio que o leite;

– 15 vezes mais potássio que a banana;

– 25 vezes mais ferro que os espinafres;

– 9 vezes mais proteína que o iogurte.

 Exagero ou não, ela é de facto excepcional ou, por que não dizer, mágica.

Se ainda não está convencido(a), vamos a mais uma magia da Moringa. Como é sabido, a maioria dos legumes perde nutrientes na confecção, por comparação ao seu consumo em crú. Contudo, as folhas da Moringa, quer estejam frescas, cozinhadas ou desidratadas (armazenadas em pó por vários meses, sem refrigeração), não sofrem alterações no seu valor nutricional. Acresce que as folhas fervidas (cozidas) triplicam a biodisponibilidade de ferro por comparação com a folha crua, outra raridade alimentar.

Não restam dúvidas de que esta planta tem uma grande vantagem como complemento nutritivo de qualquer dieta, da minha, da sua, mas ainda mais sentido faz no combate à malnutrição, mais prevalente em países em desenvolvimento e onde, coincidentemente, a Moringa está bem adaptada, podendo fazer parte das hortas individuais ou comunitárias, sem custos, e estando disponível todo o ano (relembro que as suas folhas podem ser desidratadas, reduzidas a pó e armazenadas por longos períodos, podendo ser adicionadas como suplemento a qualquer prato ou bebida).

Ainda duvida que a Moringa é uma árvore mágica? Salvar vidas da fome é, pois, o que de mais mágico pode fazer pela humanidade.

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