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UM RETRATO PINTALGADO DE NÓS

No outro dia,  veio-me à memória um livro lido há algum tempo e que se tornou um dos marcos da minha passagem pelo mundo da leitura e da vida. Um livro que encerra uma metáfora das sociedades e da essência do ser humano da maneira mais pura. Uma obra escrita de forma requintada e que toca quem lê. Um livro que marca. Uma marca da literatura.

A obra em questão, O Retrato de Dorian Gray, escrita pelo enorme Oscar Wilde. Obra escrita no século XIX e completamente atual, completamente concernente. Atual , pois expõe as fragilidades do ser humano(intemporais, universais). Atual, pois expõe as fragilidades das sociedades (intemporais, universais).

O génio singular e o humor mordaz de Oscar Wilde levam-nos por caminhos ao interior das personagens e por consequência ao interior de cada um de nós.

A personagem principal, Dorian Gray, um jovem da alta sociedade inglesa, faz um pacto demoníaco para ter a juventude eterna enquanto o quadro com o seu retrato é que envelhece. Com o tempo, a sua vida de abusos e más ações transforma a imagem num monstro.

Dorian Gray representa, inclusive, um fenómeno cultural e social caracterizado pela excessiva preocupação do indivíduo com sua própria aparência denominado (Síndrome de Dorian Gray).

Obviamente, a magnífica obra tem outras leituras de valor filosófico e conceptual, o que a torna ímpar, pois consegue dar-nos o entendimento sui generis do conceito de Belo e da arte confrontando o leitor com a perfeição impossível, a vaidade e as manipulações humanas.

Nesta quadra natalícia pensemos em tod@s @s Dorian Gray desta vida, que vivem e idealizam uma imagem exterior de si mesmos e se esquecem que no seu interior habitam monstros. Monstros que deterioram por dentro e escurecem até as caras mais luminosas. Luminosas são as luzes natalícias e também elas fundem e se apagam.

Nesta quadra natalícia em que se apregoam valores, muitas vezes esquecidos durante o ano, devemos pensar que a construção dos mesmos é um trabalho continuado e não fruto de uma época.

No entanto, podemos aproveitar a propagação deste espírito natalício para afastar esses monstros e trazer à superfície duendes endiabrados que dançam, entrelaçados, bonitas melodias relembrando que: Todos somos belos e belos são os retratos que pintamos de nós.

“É o espectador, e não a vida, que a arte realmente reflete” in prefácio da obra O Retrato de Dorian Gray

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