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AMOR À PRIMEIRA VISTA

Apaixonei-me desde o primeiro dia em que a conheci. Ironia do destino, aquela que me apanhou na curva da vereda, trocando-me as voltas, logo a mim, que nunca acreditei em amores à primeira vista.

Mas o cheiro inebriante depressa se transformou numa seiva quente que me percorreu as veias, acelerou-me o coração e fez-me viajar num mundo de príncipes e princesas encantadas, percorrendo os céus montando coloridos e alados unicórnios.

Estar com ela era tudo. Contava os minutos que, devagar, desmontavam as horas que me separavam do calor que sentia quando nos seus braços caía.

Era tomado pela ânsia do desespero sempre que o rodado da estrada dos dias me obrigava a permanecer sóbrio, distanciando-me daquela paixão assolapada que preenche os amores ainda ingénuos.

No início, todos – ou quase todos – os amores são perfeitos. E, neste romance de que vos falo, não foi diferente, mas os problemas chegaram como em qualquer história de amor eterno.
Os dias encheram-se de dependência, de tremores frios e insuportáveis na ausência que me esvaziava os dias em que ela não vinha.

Vieram os amigos dizer-me que a relação era unilateral, que me estava a anular, que eu já só era metade do que havia sido.

Os meus pais apelidaram-na de meretriz, que não era aquela a vida que sonharam para mim e que, nas malhas dela, não passava de um desgraçado e de um infeliz.

Mas eu, com unhas e dentes, defendi-a até ao fim, consumindo-a como o ar que se respira, até ao dia em que percebi que já não era nada, que já não tinha nada.

Foi um amor destruidor aquele que de mim se apoderou, transformando-me, ainda hoje, num corpo que, dia após dia, se afoga nas malhas desse amor letal que é droga.

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