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Cultura, Literatura e Filosofia

A ALDEIA QUE HABITA EM MIM- SOLDO DÉCIMO NONO

Efémero nutrido não, perante musculadas paredes que o recolher ao silêncio permitem, já em fonte, em abertura, cavada pedra, ali nomeado.
Não sem antes por portão primeiro passarmos, antelóquio das tonalidades que a flora imprime em sentidos nossos, agora sim, olhando o que sobre nós se apresenta. O brasão de família do Poeta que Saudade imprimiu à existência.
Não nos deixemos dissuadir pela beleza que impera na estrutura, encimada por nove figuras em granito laboradas ou pelos azulejos que vestem frontal parede e nos apresentam imponente escadaria que portas nos abrem aos corredores da Alma de Pascoaes, Aldeia-Mulher de memórias suas.
Embriagados não pelo idílico espaço, versemos atenção nossa em toponímica placa que antecede o que nos espera, de soslaio, como alvas que em chuvoso dia braço-de-ferro promovem, com um sol que à mesa não se apresenta.
Desenhadas letras onde Saudade, em relevo, se inscrita, estranho em nada. Declive que se nos apresenta o caminho que ao coração de uma outra aldeia, não menos que a de Gatão, pois lugar será onde a Alma pelos dedos se expressa. Ambas, integrante parte de poética constelação sua.
Imanente a amabilidade no olhar. A forma com que abraçava os amigos, nesta aldeia o mesmo decalcaria. Povo que passaria a habitar plástica obra sua, onde Anjos e Demónio, Natureza, Santos e outros nem tanto, residem.
Pascoaes encontrara Mirante outro, em lugar que não somava à descrição medida alguma que apropinquação concluísse.
Enquanto se munia de cromática paleta, esboçava, desleixo nenhum, o que em aguarelas traduziria. A distância mais não é do que um mar de humores vários que nos leva às escarpas do nosso pensamento.
Pensamentos que uma vez em entrelinha, à linha chamados são. Decalcados, intromissão permitida.
Côncava a alma, evitar tentando o amedrontar de um escurecer da realidade que se despia para artístico decalque numa ida folha branca, decidida a deixar-se amarelecer pelo toque do tempo, que não tardava a balizar existência de criador seu.
Não nos inquietemos com estado este que se apodera dos poetas que nos vão confiando palavras e despertando em nós a esperança de uma Humanidade que se olvida de criador ato e corruptível desembaraça a sua ação, salvaguardando em nada o que este que ali se senta eleva.
Pascoaes desdobraria em obra sua, livros que de nós não se esquecem, a universalidade do ser-se com a Natureza. Não se alheando de responsabilidade sua, salvaguardava este silêncio, que vos gostaria de contar em palavras, sabendo-a escrita, em dádiva, pelo Criador. Entregara-lhe a possibilidade de espectral silêncio, onde navegava e se deixava absorver, a Mãe contemplando.
Na leitura dos seus textos, na neblina que abraça desenhos e pinturas, encontramos essa demissão do sonoro, onde a Paz se envolve em fetal posição. Espreguiçando-se, sempre que sentindo necessário, ela, em moralista tom nunca, que isto de se chamar Paz, à Guerra muito o deve, pululando vai, a calcanhares de um desassossego chegando, requerendo à contemplação respetiva ação.
Apesar de envolvido pela solidão, pela noite e o que as vísceras de ambas lhe proporcionavam, amenizava não a partilha de momentos onde a tertúlia fomentava a reflexão profunda sobre temas como a Paz e comunitárias políticas da aldeia. Atentem em boina sua, se à sua mesa se sentarem, ou perto dela ouvido mouco não o façam. A cor negra não constava da sua indumentária. Certo o diálogo, portanto. No café, após desenhado versejar, em miúdo guardanapo, destinou-o a um grupo de jovens que presenciou melódica roupagem ao então escrito. A orquestra, encontro de gerações, dedicara-lhe doce harmonia, talvez antecipando um agradecimento pela presença de tão profundo espírito, que serenidade e conforto somava a todo um povo.
Numa fase que somente se dedicava à escrita, não olvidando a beleza da aguarela e do desenho, as palavras que do seu punho sangravam bebiam da relação que tinha com as árvores, as flores, as pedras, a água, as serras. Trabalhava a terra, com um orgulho digno da sua sensibilidade para com o que o rodeava, ou não teria na parede do seu quarto as ferramentas da poda que em solar seu o solo tocaram. Um agricultor de palavras em férteis folhas, preparadas por pensamento seu.
Melhor lugar de ação geminado não poderia encontrar, ou não fosse esta uma aldeia onde o povo dedicado era, lúcido e consciente, num plano pedagógico, sempre, à causa ecológica e à preservação de verdes espaços e dos animais que tanto lhes oferendavam, quando nada em troca requerendo. Sustentabilidade, palavra que passaria a estar nos ocasos que Pascoaes naquela comunidade vivia. Sabia-a presente, materializada em espaço o mesmo.
Este homem que as leis preteriu às letras, a Natureza amava como se divina força no seu punho executasse a ode à beleza do estar, banhado no respeito e no reconhecimento do Outro, mesmo que este inanimado fosse. Para si, tudo, tudo, habitado era por religiosa alma. Espírito de ímpeto maior, fruto de dois mundos que se intersetavam. Uma realidade terrena e a espiritualidade. Difícil não perceber, tamanha a densidade e profundidade com que se exprimia através das palavras, transportando, esforço nenhum, o seu Solar de São João de Gatão, o rio onde mergulhava, outrora chão onde capa de santo este transportado fora, e o Marão, menino dos seus olhos, cuidador de si, enquanto criança, onde pedonal demanda o fazia embrenhar-se nos segredos mais recônditos da Natureza, com ela conversando, confidente máxima dos seus porquês.
Eis-nos perante os embriões de toda a sua obra. Fonte segura de não seca, alimentada por curiosidade sua, na contemplação que lhe dedicava. Truncada missão deixada aos que se avizinham. Transformem o meu contemplar no vosso concretizar.
Mas voltemos a esta aldeia, se é que dela tenhamos saído, pois dúbio pensamento aqui somo, onde o nosso Poeta o lugar de escrita encontra, tempo seu de introspeção, do habitar. Um espaço conquistado, seu já, sem o saber, à sua espera. Sempre.
Lembremos o sentar, de onde não saímos, por muito que pareça. Apenas deambulamos no seu pensamento, certos de que com a devida autorização de tão estimado saudosista. Aldeia, palavra-mãe sua, criadora dos seus espaços, onde a seu regaço vontade muita demonstrava sentir.
Nesta, que não de nascimento primeiro, recebia-o como filho seu. Desnecessário o verbalizar por parte de outrem. Sentido era no abraço que o aconchegava sempre que para lá de portas suas se adentrava.
Impossível a não demora no contemplar que se nos afigura. Deste seu outro Mirante, olhamos pequenas crianças, entregues ao saudoso lugar que a meninice representava, brincando, em correrias e sorrisos que se tocavam num toque-e-foge que um retorno, certo, finalidade tinha, esquematizada nunca. Recordava assim as crianças de aldeia sua, infância pululando, sendo a distância em relação a Amarante mera névoa que o remetia para alvoradas primeiras, na sua então vila.
Nessa viagem, onde a bordo de jangada subira, suave o era como navio rasgando humores de calmo mar. Acreditem, várias as vezes, infância minha a visitei sem física presença sua. Lembro sempre do que o que agora seu, à aldeia o levava. O ser-aldeia. Esse silêncio que nos é permitido, que nos permitimos e a Natureza-Mãe que com ele como que à luz humanas telas, profundas, dava. Lugar onde o Marão e o Tâmega recortar tentava, sem nunca os substituir.
Talvez o espaço maior de uma aldeia, de namoro nosso para toda uma vida, esteja em emocional campo, ou se físico, transportado possível de ser. Insubstituível certo é, mas geminado, como este Poeta, como que em ponte de santo sentado, em contemplativa disposição, descrevia hábitos, andares, sensações, olhares, descurando nunca a cor da paleta de emoções, onde lugar tinha o humor, enfâse dando à singularidade de quem à vida sua ia, desvalorizando o olhar de águia perscrutando, eximiamente, o subterrâneo de ser do ser. Hesitava nunca na prática de uma arte de se ser adventista de um todo de gente.
Descrevia no seu pensamento, rasurando as vezes necessárias, o povo desta aldeia que soldo algum pedia. Em palavras e aguarelas o desenhava, como retratos seus, personagens de livros, parentes próximos de terras de São Gonçalo. Talvez em si se manifestem, pertencendo a sacra via que ainda percorre e aqui se estende.
A pé não chegado, como outrora, desregrado, como sabido gostar, rasgando os caminhos, imerso nessa liberdade do andar, duplo passeio de nós próximo, até este lugar de carro chegara, gosto seu, outro, nos capítulos das viagens em que se pautava. Todavia, delinquente não o era pelo toque de membros nos elementos que a envolvente flora proporcionava, culminando numa miríade de sensações que obra sua pressagiava, diluindo idílica sobriedade, sem nunca obsoleta a tornar.
Inútil a procura de difíceis sentimentos em dicionário que em nada abonava a espontaneidade e a fruição do momento. Forma outra de contrariar a suma da velocidade dos dias que velozes se tornam, sem que o toque se propague na imaginação, em nada paupérrima, de operários dos sentimentos como o é este homem da terra.
Após seis degraus subidos em pequeno lugar, as emoções aconchegava, jamais do papel se outonando, nem mesmo quando a beleza interior do espaço que ocupavam se debruçava sobre labuta sua, em tons de azul, como que continuidade do céu que rasgado é pelos bicos aguçados não dos lápis que no céu presença rubricam.
O caminho que até ao Mirante nos convidava a perseguir a curiosidade, talvez ligação que nos permite este aldeão deambular, deposita contíguo sentimento no percorrido por Pascoaes até se sentar a esta pequena mesa de madeira, usando uma das duas cadeiras que ali se dispunham, como que visita esperada. Entretanto, acrescentava a cada dia um ou outro livro que de dorsal lhe serviria para o que andava a idealizar. Mas deixemos tudo isso entregue a subterrâneo homem, que saberá o que fazer com o que emprestado pedido foi à pequena biblioteca da aldeia. Mesmo esperando olhares outros com o epicentro onde se encontrava, sabia-se fiel a olhar seu e ao comunicado com o coração. Esta aldeia ainda muito tinha para lhe oferecer.
Aldeia-milagre, dir-se-ia, de terra em terra, no seio de um povo que vírgulas acrescentava ao parido. Aldeia, de gente talhada, de um dourado que se salientava pela sensatez e cumplicidade. Ou não seria assustadora a tela que hoje a algumas emolduram, onde prenhas se encontram do vazio, do esquecimento, de lacrada memória, não pela vontade dos seus, pois a salvaguardam, sem soterrada essência, onde novo nascimento acreditam presenciar.
Assim como em Gatão, alguns pensamentos seus deixados foram na madeira que o envolve, a lápis cravado, destinando à beleza que contemplava, enamorado do silêncio que a vestia, madura quadra das emoções com que se debatia. Silêncio que se ornamenta de naturais elementos, em nada o perturbando, mesmo que diálogos tentem, consigam, articular.
O tom rosa que indumentava esse espaço, não se estendia em real para a aldeia que agora o recebe. Importante sim o sentimento que encontra no interior de espaços como irmãos à nascença separados e que refletem uma mesma pessoa. Como que afim lugar, mesmo que este artífice das palavras o Marão carregue, lembrando-o da sua singularidade, mas certo de que o transporta para espaços que vida ganham em pensamento seu, pela intensidade com que as pessoas que o habitam o fazem dar vida à serra, acrescentando ponto outro à Natureza plasmada ao folhear obra sua.
Se há quem amor muito tenha à aldeia, é este cirurgião da alma do Marão, acrescentando emoções e suspiros às palavras que nuas insinuando se vão. Dele nos abeiramos, sabendo que memórias são de uma existência que coloca a aldeia como matriz força de existência sua. Acrescendo à tríade o rio e a serra, Pascoaes surge-nos como jusante de um divino que se verte dos homens e significado confere, potenciando-o.
Desenhos como estes que numa pasta castanha se vêm guardados, em cima da mesa onde seus braços repousam, por instante breve, num momento de revisão do que as emoções requerem quando tentadas por natural dom que se lhe apresenta e seus olhos traduzem. Esboços que embelezarão o espaço onde a comunidade se reúne para decidir de coletiva felicidade e preparar um sustentável futuro, esquecendo nunca o viver presente. Outros cor distinta dariam à oficina onde avós e netos teceriam o respeito que precariedade nenhuma em afetivo espaço sente. Por lá já espreitámos, se memória aquela vos habita. Quando tocado o papel, não conseguia extinguir de coração seu os avós que tanto amara, ama, e até ao presente o acompanham em letrada demanda, de orgulho em riste, por certo.
Os losangos que nos alertavam para o trabalho do artista, aos móveis semblante conferiam, com fecunda peculiaridade, como que marca sua deixando, remetendo para peculiar fonte, em solar seu, onde geométricas figuras interagiam com magistral espaço, árvores murmuram, traduzindo, em muito, a Noite e a Saudade, pelos braços que se tocam, atribuindo vestes suas a quem sentado nos bancos de pedra se encontre. Parte importante de nevrálgico centro do seu entendimento.
Golfinhos que se entrelaçam, depositam a água que no pensamento de Pascoaes ecoa e o transporta para monumental fonte, protegido por sacras figuras em altares cavados em vertical estrutura. Marítimos seres que lhe sussurram, levando boca perto dos orifícios que os libertavam da torrencialidade do líquido que vertiam. Talvez interesse maior será o escutá-los, uma vez próximo, recebendo em grisalhas mãos a água que alma sua hidrataria.
Foi no erguer do seu corpo, atendendo ao sonorizar de felicidade-menina, que a Saudade por ele se adentrou. Esboçando um sorriso, contemplou o momento que um grupo de crianças partilhava, alternando com a dedicação à horta da aldeia que orgulhosamente protegiam. Escolares férias, permitiam o encontro num já familiar tanque. Instantes que faziam lembrar infância sua, onde em saudoso elemento, de tempos idos, partilhava lugares que a memória insistia em decalcar.
Flora e fauna em sumário primário, com a certa continuação da aula anterior. Tratar da aldeia, portanto. Do que inóspito não permitir se tornar. Sabem que o todo passa por bem tratar o que os rodeia.
Homem da terra também o era este artista, que em paredes suas os materiais da poda colocava, decorando-a, em comunhão com obras de arte e santas figuras, que interligavam os vários espaços da casa, correndo em direção a singelo e humilde capela, hercúlea sobrevivente de francesas invasões. Se joelhos em pequenos bancos repousassem, olhos na tela a óleo trespassada por bélica intromissão, momentos passaríamos com Pascoaes, sabendo-o em diálogo com um Deus que não se ausenta da sua obra. Parte da sua dimensão e essência é.
Local também de um reacender de memórias, um lembrar, um ressuscitar quando pensado perdidas, uma extensão da nossa existência, um retorno aos locais da nossa infância e juventude que, no apressar dos tempos que correm, se esvaziam e áridos se musculam.
Na aldeia há o povoar dessas memórias, celebradas, no à mesa sentar, no partilhar, nos serões que fechando este meu contar, iniciará um outro capítulo à absorção do real por tão imenso Poeta.
O retorno a esta aldeia era a certeza de seu refúgio ser, de mecânico mundo, impávido perante o argumento e a reflexão de uns tantos como este que aqui sorri, percorrendo com os olhos os limites dos montes que lhe apresentam a noite que não se faz tardar e nele vê continuidade, de mistério com que seduz quem não retém nos olhos o orvalho que fruto dará em folhas que eternizarão ímpar momento, avelhentando-se nos inúmeros leitores e no toque que nos sobressalta no folhear de uma serra, de um rio, de uma aldeia, circunscritos, septo não, a um livro, entre o mundano e o sagrado.
Demorou-se na beleza do estar, na partilha que a inocência de um mundo por descobrir permeia. Sabendo à espera uma mesa de gente boa povoada, propícia à discussão de ideias para a salvaguarda da Natureza, fonte sua, organizou o agora, também seu, outro, Mirante e caminhou em direção ao lar que o tem abraçado nos últimos dias.
Pascoaes e povo este, missão maior tinham. Cuidar da Natureza que dorida, entristecida,  carpideiras em atalaia, imediata prontidão, vestia a ansiedade de se ver despida, de lembrada ser nos livros de amarantino escritor. Testemunho maior, num prefácio a ambientais práticas, as palavras de Pascoaes possam ser à contemplação e cirúrgica atenção ao verde que nos amacia a Alma e permite a libertação de profunda poesia.
Onde a Natureza dissidente não era, o olhar morava, sem humana mão trespassada, na exuberância e ostentação dos tempos, o Solar ocupava o que o circundava, em centrífuga força, de útero seu malas feitas nunca.
O caminho prossegue, em lento passo, tentando captar o que o vento lhe revela, propenso ao espaço de reflexão. Pensamentos-artífices que cavam sua banheira, como que emprestados desenhos rogando ao poeta-coração que os embala, e nela se banham, olhando vetusto mestre.
Assim como visitas à sua casa, de artísticas expressões, nesta aldeia talvez, um dia, se cruze, por trilhos estes, com Agustina e Amadeo, filhos da terra seus. Não o diremos. Talvez o sinta. Transportado pelo suave silêncio e os braços que o compõem, incapazes de nos abandonar.
Entretanto, pobre tolo, não em meia lua de pedra, sentando, mas em corrido banco de madeira, atento ao ser. Se certa a passagem, não protelará o chamar.
Por enquanto, acompanhamos locomoção sua, ai de nós distração causar por trocado passo. O hálito de orgulhosas árvores sentido é, respeitosamente tratadas, absorvendo, em surdina, uma Verdade no estar de quem aqui habita.
Uma vez sentados, permeando frontal partilha, dispondo os tachos em longa mesa, de musculada pedra, olhamos o fogão de então que até hoje lembranças nos traz, de uma noite em casa de avós nossos, certos de que este o mesmo sentido é pelo Poeta que ali comunga, crendo que terra aquela, em alvorada próxima, corpo seu sentirá o tratar, das mãos que o Divino traduzem.
Do tempo nem linhas dedicamos, tamanha a imersão nos momentos que se abraçam. Seguimos para o local onde espaço ao ócio consideramos, onde sonegado em nada era a horizontal respeito entre gerações várias, que tessitura atribuía à existência em comunidade.
Pascoaes duas aldeias nos desenha, que se continuam pela força da saudade que as une, como lágrimas nossas que o mar recolhe, em desenfreada safra, despoletadas por um Saudosismo que o mar e a terra disputam como seu.
Cada aldeia um cais e o mar que as separa mesmo que breve, até que cartas como esta que para os que estima escreve, lacre desfeito e o então desconhecido derramado esteja.
Talvez a aldeia espaço seja associado a algo entre o terreno e o divino e comunhão sua, deuses interditando, mesmo os que de humano rótulo anseiem a patamar outro ascender. Lugar onde o nevoeiro se adensa, mar chão rasando, folheando-nos.
Graúda a noite, num serão, lembrando os seus de então, acesa fogueira, estalando pedaços como que lutando com pontadas dos pequenos tambores que convidavam os moços e as moças a apresentar-se aos pares e determinar a cadência, num degustar de vinho com as mais diversas receitas que gerações vão cuidando até aos dias que agora os saboreiam.
Pascoaes, podador de terra e de homens, e esta aldeia de habitado povo às letras chamados são para se traduzirem. No Outro. Legando ao espaço Saudosismo que o indumenta. Palavras estas adenda outra à Saudade. Sua. Em nós.
Continuemos a debruçar-nos para profunda alma deste Poeta. Mirante nosso o seja. Fonte segura do Universo, Homem e Aldeia hifenizados, cruzando o terreno e o sagrado como bica que a sede nos castra, como golfinhos em terra sua.
Gostaria de o abraçar em aldeia nossa. Lugar teria a seu lado, mesmo que pequeno o degrau. Só para lhe dizer, obrigado. E aqui, sei que significado outro, imenso, teria.
Desculpem tamanha emoção, pois lágrimas se desprendem sem a devida autorização.

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