Cultura, Literatura e Filosofia

SER SIMPLES É SÁBIO

Cidália Pinto
As nuvens correm, o vento zanga-se, com a falta de atenção delas, e sopra rude.
E desequilibra a perfeição do céu azul, com o sol perfeito e a nuvem de algodão,  impecavelmente branca, deixa de o ser.
O céu rasga-se em cinzas e o azul é menos azul, e a perfeição do algodão desfaz-se em farrapos de um branco sujo.
E o sol é  enfrentado por  um cinza-mor que faz com que ele se esconda, e a nuvem saudosa, desgostosa, solta a lágrima do canto do olho, e fungosa por fim descamba num choro que parece não ter fim.
E o céu já não está azul, nem a nuvem brilha, branca (cor de marfim).
E não parece tão perfeito o dia, assim.
Até que o vento sossega, o choro da nuvem dá trégua e o sol pára de se esconder  por fim.
E sobre o cinza ranzinza, sete cores em paralelos acordes, se curvam para matar a sede, no leito de água salgada, fruto do choro da nuvem que chorava a imperfeição.
Eis que ficou mais belo o dia, após ter chorado o desatino de um vento ciumento da perfeição.
Assim connosco há esse perigo, de procurar o belo e não ver o divino.
Ver com olhos, sem coração.

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