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APRESENTO-VOS O MEU PATRIMÓNIO

Isabel Pinto da Costa

O meu património são as pessoas que eu vou conhecendo ao longo da minha vida, são os indivíduos que partilham comigo momentos significativos, me vão pertencendo, me vão encontrando, vão estando e vão querendo fazer parte da minha vida temporariamente ou para sempre!…

No entanto, se o património forem as pessoas elas só nos pertencem se elas quiserem e se nós tivermos esse valor de importância para elas. São um património afetivo, mas o único que tem verdadeiramente valor.

Contudo, muitas vezes, consideramos os objetos como o nosso património. Ora, quando morremos não levamos o património material! Mas também não levamos o património afetivo! Só que este, enquanto em vida, vamo-lo transmitindo de geração em geração, enquanto o património material é finito.

A prova como o património afetivo é transmissível vê-se através, por exemplo, do amor que temos por um filho adotado que é igual ao amor por um filho biológico, ou do amor que, por vezes, temos por uma avó que é maior do que aquele que sentimos por uma mãe… Isto é o património das pessoas, dos afetos, das emoções, das boas vivências.

Ouvimos muitas vezes dizer, eu quero trabalhar muito para deixar um bom património ao meu filho, uma herança ao meu filho. Pais!… A maior herança que podem deixar aos vossos filhos são os valores, são um património cheio de afetos e valores morais, de princípios. Proporcionem aos vossos filhos situações de felicidade, testemunhos de solidariedade, amizade, perdão, para que eles encontrem o caminho da felicidade. Cada vez mais chegam à minha consulta adolescentes, jovens e adultos tristes, verdadeiramente infelizes, vazios como eles se descrevem, não se identificando com as figuras parentais.

Pensem no património como algo não material, mas sim humano, que é transmissível de pessoa para pessoa, de família para família, como uma “coisa cultural” que deve ser preservada no seio familiar, para unir a estrutura familiar e não para separar.

O património material, por vezes, separa a família, porque existe a divisão de bens materiais. O património afetivo une. O chefe de família, o irmão, o mais velho, o filho, o mais novo que tem de ser protegido, o filho adotado que faltava, as dificuldades que se ultrapassam…

Queiram o património de pessoas e não o património material, seja pobre ou da classe média, mas seja rico de valores, recheado de pessoas significativas na sua vida.


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