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Saúde e Vida

TENHO OS CRISTAIS FORA DO SÍTIO

Carla Guimarães Cardoso

Esta é uma frase que se tem tornado frequente ouvir ao nosso tio ou à nossa vizinha. Mas, o que quer dizer? Temos mesmo cristais nos ouvidos?

O ouvido está dividido em dois departamentos (aparelhos). Um responsável pela audição (coclear) e outro pelo equilíbrio (vestibular). O aparelho vestibular, responsável pela detecção do movimento da cabeça em qualquer plano espacial é por sua vez constituído por dois subdepartamentos, os órgãos otolíticos (o sáculo e o utrículo) e os canais semi-circulares.

Vamos focar a nossa atenção nos canais semi-circulares pois são os implicados na vertigem posicional paroxística benigna (VPPB), o nome científico para “cristais fora do sítio”.

Os canais semi-circulares são, tal como o nome indica, 3 canais membranosos, dentro de canais ósseos, com a configuração de um semi-círculo e cheios de um líquido, a endolinfa, e com um sensor de movimento, a cúpula.

Cada canal é sensível ao movimento da cabeça num determinado plano.

Sempre que a cabeça se mexe, no plano de movimento do canal semi-circular há movimento da endolinfa o que vai estimular a cúpula e desencadear um sinal nervoso.

Os órgãos otolíticos também têm um sensor de movimento, a mácula, onde estão as otocónias (cristais minúsculos de carbonato de cálcio).

Por vezes estes cristais deslocam-se e migram para os canais semi-circulares, normalmente para o canal semi-circular posterior (80 a 90% dos casos). Neste caso, o movimento da cabeça, normalmente deitar, levantar ou rodar na cama, é acompanhado pelo movimento da endolinfa do canal posterior mas quando o movimento pára a força da gravidade faz com que as otocónias se continuem a movimentar o que não deixa a endolinfa parar. Assim, o movimento parou mas para o ouvido não e este mantém a informação de que a cabeça continua a mexer.

É este conflito de informação que gera a vertigem. Esta só vai ocorrer com os movimentos que estimulam o canal semi-circular atingido.

A VPPB é a causa mais frequente de vertigem estimando-se uma incidência de 10% na população geral. Tem uma taxa de recidiva de 50%.

O diagnóstico de VPPB é clínico e o seu tratamento eficaz através da realização de manobras de reposicionamento. Ou seja, colocar os cristais outra vez no sítio.


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