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Saúde e Vida

AINDA O SERVIÇO NACIONAL DE SAÚDE

Antonieta Dias

Nos últimos meses temos assistido a uma serie de situações que comprometem o cuidar bem o doente e o papel essencial do Serviço Nacional de Saúde.

Talvez não seja uma questão de princípio, mas é de certeza um prejuízo para quem necessita de ser assistido e recorre aos serviços públicos.

Temos vivido num clima dramático onde o querer passa a ser possuído pelo não ter.

Mas se paramos um pouco para refletir percebemos que o doente precisa mais de ter do que querer.

Prestar um serviço de saúde de qualidade é o que se exige no Serviço Nacional de Saúde (SNS), porém, a enorme carência da prestação de cuidados quer ao nível das consultas nas várias especialidades, quer das cirurgias, onde assistimos a tempos de espera inadmissíveis, que traduzem claramente a indisponibilidade e falta de motivação politica para encontrar as soluções mais adequadas para resolver os problemas decorrentes do sucessivo desinvestimento no setor publico, da decadência das Instituições que aos poucos vão substituindo as enfermarias por corredores de urgência, as camas por macas, os locais destinados à consulta e os serviços de internamento por contentores são o reflexo de uma insensibilidade e de uma desumanidade que em nada dignifica o Estado e carece de uma mudança estrutural da mentalidade de que tem a responsabilidade de proporcionar as condições necessárias para prestar cuidados médicos de qualidade, em que o doente/ utente não se sinta marginalizado, nem privado de uma tratamento tecnicamente adequado e humanamente prestado.

É urgente e indispensável uma intervenção imediata na restruturação do Serviço Nacional de Saúde (SNS), que permita garantir o cumprimento da Constituição da Republica, com direito à proteção da saúde de uma forma universal, geral e tendencialmente gratuita.

Manter tempos de espera de meses e nalguns casos anos quer nas consulta, quer nas cirurgias é desmantelar os hospitais, mutilar os doentes e fazer sofrer os prestadores de cuidados de saúde, tornando-os incapazes de cumprir o dever profissional e ético das funções implícitas inerentes às suas obrigações.

Ao privar os serviços das contratações de pessoal qualificado, ao encerrar unidades com a desculpa que é para rentabilizar os profissionais, por falta de dotação de técnicos nas várias áreas serve apenas para mascarar uma realidade que os sucessivos governos não conseguem ou não pretendem resolver.

Importa ainda referir que nas últimas semanas, as denuncias das carências existentes e o risco de exaustão, a falta de investimento, originou da parte do Observatório Português dos Sistemas de Saúde a divulgação no seu relatório anual deixando as críticas a estes últimos anos de governação: os cuidados de saúde primários manifestam profundas carências estruturais e os hospitais continuam em crise o que leva a uma detioração na prestação dos cuidados de saúde com uma repercussão efetiva no cuidar bem e um desgaste dos profissionais que ficam incapazes de responder adequadamente ao que seria esperado para dar cumprimento às boas praticas e sobretudo trabalhar de acordo com a legis artes.

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