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Cultura, Literatura e Filosofia

A CAPACIDADE DE SE PERDOAR

Isabel Pinto da Costa

Já pensou o quanto é duro consigo próprio, o quanto não se perdoou, o quanto é exigente na avaliação que faz de si próprio?

Nós pensamos sempre em como podemos perdoar os outros, como os desculpar, como ajudar os outros a se perdoar e como nós nos ajudamos a perdoarmo-nos? Quando vamos pensar em nós? Cuidar de nós? Darmo-nos colo?

Existem frases bonitas como: “Eu sem ti, eu não sou!” Eu prefiro as frases: “Se ninguém estiver por perto eu vou sentir-me bem na mesma”!” Se ninguém me valorizar eu vou valorizar-me!” “Se ninguém me conseguir perdoar eu vou perdoar-me!”

Tenha a capacidade de se perdoar, de seguir em frente!

Eu digo aos meus pacientes que não podem ir ao seu passado, que têm que aprender a viver com ele, tendo sido bom ou mau, mas foi o seu passado, não o podem mais alterar. Que têm que viver no presente! Mas também não é só viver por viver! Temos que projetar alguma coisa, nem que seja esta capacidade de nos irmos perdoando por coisas que aconteceram no passado, que temos dificuldade em resolver, pois continuarmo-nos a julgar não é bom para a nossa saúde mental.

Existem pessoas que também se perdoam com muito facilitismo, ou seja, que não avaliam verdadeiramente o seu comportamento, mas será que isso é errado? Na verdade é sinal de alguma imaturidade! No entanto, são pessoas mais felizes, que sofrem menos, pois seguem logo com a sua vida para a frente, sem ficarem agarradas ao que fizeram de errado.

Se nós ficarmos presos a uma ação que achamos errada e não nos perdoarmos, ficamos tristes, podemos, por vezes, evoluir para estados depressivos, isolarmo-nos porque começamos a pensar que não somos dignos de manter relações interpessoais. Ficamos muito instáveis emocionalmente, às vezes, mentalmente doentes, logo temos que nos perdoar, apreciarmo-nos como pessoas, vivermos o que a vida tem para nos dar e aceitarmos que podemos ter comportamentos menos corretos. Contudo, isto não significa que não temos desculpa dos mesmos perante o juízo de valor dos outros.

Um julgamento é sempre um julgamento, que envolve muita subjetividade de quem o faz e valores morais.

O slogan terá que ser:” EU SEM MIM, EU NÃO SOU!”

Tenha assim a capacidade de se perdoar, porque quem nunca fez nada errado que nos julgue!


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