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Cultura, Literatura e Filosofia

A IMPORTÂNCIA DA MORTE

Antonieta Dias

Muitas vezes não temos tempo para refletir e descobrir o fascínio da vivência diária e da felicidade de poder dizer eu estou vivo.

Todavia, não podemos esquecer o outro ciclo que nos espera a todos que é o processo da morte.

Se a morte é deixar de viver, se a alma supera a morte então morrer é caminhar para uma nova vida e se for assim vale a pena morrer.

Se fizermos uma paragem para refletimos sobre a morte estamos a refletir sobre a vida.

Sem dúvida que a morte é um processo irreversível, no qual cessam todas as funções biológicas, e termina a vida física com a paragem irreversível da atividade cerebral.

Mas será que só pensamos na vida física que representa o fim da nossa existência, o mistério desconhecido que nos transporta para um outro lugar onde cada participante que lá chega não volta?

Ou haverão outros componentes da vida que perduram para sempre como seja a alma e o espirito?

Apesar de existirem outros significados da morte (do termo latino mors), óbito (do termo latino obitu), falecimento (falecer mais mento), os conceitos não mudam e os procedimentos não falham.

Muitos são os que acreditam que existe vida para além da morte, que afinal é apenas uma transformação, uma revelação pouco conhecida de regeneração e renovação enquadrada num outro ciclo que passa a ser interpretado como uma nova luz onde a mudança profunda e misteriosa muitas vezes é expressa na cor branca que representa a alma que se liberta do corpo e é eterna.

Por vezes vivemos tao depressa que nos esquecemos do terceiro ciclo da vida, não nos preparados para o receber muito menos para compreender a necessidade de ter de morrer.

A morte pode ser interpretada como um momento de escuridão, que representa a noite e destrói a existência e nos conduz para um outro espaço misterioso.

Um grande numero de pessoas pensa que a morte surge quando a pessoa deixa de respirar, quando o coração deixa de bater ou quando é enterrada.

Sabemos que existem três tipos de morte, a morte física é a mais conhecida, a morte espiritual  ou a morte estatologica ou morte final.

Esta ambivalência entre a morte e a vida, em que morrer se opõe a nascer, gera por vezes um conflito, mas ambas compõem o caminho que não pode ser definido como uma inevitabilidade, mas sim como oportunidade de experienciar um recomeço, uma iniciação, uma outra realidade que pode ser compreendida não como um abismo entre o interior e o exterior que pode ser representado por quadrados brancos e pretos em que os brancos simbolizam a luz da nossa existência e os pretos as trevas da nossa ignorância sobre o mundo espiritual eterno que nenhum mortal pode ver porque a morte como transcendência da vida humana não é algo evidente.

Se acreditarmos que a morte é deixar de viver, que fazemos à alma que supera a morte?

A morte será simbólica quando permite ingressar numa nova vida, quando faz renascer interiormente e descobrir o verdadeiro Ser.

O tempo de Vida pode ser uma oportunidade para a mudança, para a criação e expansão, para a criatividade e para a libertação.

A morte representa o desconhecido, a morte é muitas vezes a única solução para uma vida sem sentido.

O medo da morte pode paralisar a vida.

Porém não nos podemos esquecer do privilégio de poder partir para essa viagem em completa paz interior, porque quando partimos iniciamos a viagem até à luz e vamos viver uma outra vida que será certamente uma continuação da que nos conduziu até aqui.


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