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Cidadania e Sociedade

A PÁSCOA É A NOSSA “PASSAGEM” PARA ONDE?

José Castro

Impossível passar ao lado das festividades cristãs aquilo a que tradicionalmente se chama “Páscoa”. A palavra “Páscoa” – em hebreu “Pessach, Pêssarr”, em grego “Paskha” e em latim “Pache” – significa “passagem”, uma transição anunciada pelo equinócio da primavera que no hemisfério norte ocorre a 20 ou 21 de março. A festa efetuada pelos Assírios, Babilónicos e Celtas era honra à   Deusa da primavera, Ishtar, Eostre ou Ostera, que  segura um ovo em sua mão e observa um coelho, símbolo da fertilidade, pulando alegremente em redor de seus pés nus. Destes cultos pagãos originou-se a Páscoa (Easter, em inglês e Ostern em alemão), que foi absorvida e misturada nas comemorações judaico-cristãs.

A Páscoa Judaica é o nome do sacrifício executado no 14º dia de Nisan segundo o calendário judaico e que precede a Festa dos Pães Ázimos (sem fermento). Igualmente o nome Pessach recorda a libertação do povo de Israel (Hebreu) do Egipto, após 400 anos de cativeiro, em 1250 a.C. Curiosamente, ao longo dos tempos a Páscoa Judaica foi diferindo da Páscoa Cristã. Assim, os Judeus seguem as suas “tradições” e o seu “livro” Torá, e os Cristãos, seguem as suas Bíblias, (Católicos, Protestantes…)  Obviamente que a interpretação da Pascoa Judaica e Cristã diferem profundamente!

Na Páscoa Cristã persistem ainda (infelizmente) tradições do passado tais como as descritas em Êxodo 12  “ Falai a toda a comunidade de Israel, dizendo que, aos dez deste mês, tomará cada um deles um animal do rebanho  para a família, um animal por rebanho por casa. (…) O animal do rebanho para vós será sem defeito, um macho, filho de um ano, e tomá-lo-eis de entre os cordeiros ou de entre os cabritos. Vós o tereis sob guarda até ao dia catorze deste mês, e toda a assembleia da comunidade de Israel o imolará ao crepúsculo. Tomar-se-á do sangue e colocar-se-á sobre as duas ombreiras e sobre o dintel das portas das casas em que ele se comerá.(…) Eu verei o sangue e passarei ao largo; e não haverá contra vós nenhuma praga de extermínio, quando Eu ferir a terra do Egipto”.”

Jesus é tido pelos cristãos como o “Cordeiro de Deus” que supostamente foi imolado para salvação e libertação de todos do pecado. Para isso, “Deus” teria designado a sua morte exatamente no dia da Páscoa judaica para criar o paralelo entre a aliança antiga, no sangue do cordeiro imolado, e a nova aliança, no sangue do próprio Jesus imolado.

Aqui se encontra uma justificação para a mortandade de cordeiros ou cabritos no dia de Páscoa!

Em pleno séc XXI estar ainda dependente de simbolismos, analogias e mistérios que levam ao sofrimento animal, demonstra efetivamente uma atitude não pacífica perante o próximo. Que pena que a abstinência de não comer carne durante a Quaresma (nem que fosse só nas sextas-feiras) não tenha sido “decretada” para o resto do ano!

Igualmente serve para reflexão todo o “culto” que se faz em prol da morte e da crucificação de Jesus. Afinal, o “deixai os mortos enterrar os mortos” pouco ainda é seguido! A “morte” ainda que seja um dos grandes enigmas do homem, provavelmente poderia ser interpretada e compreendida de forma bem menos trágica e dolorosa! Afinal, se uma dada forma de entender a “espiritualidade” seja Cristã, Judaica, Muçulmana, Budista ou outra qualquer nada “consolar” nessa temática para que serve? Quantas depressões existirão em pessoas plenamente saudáveis mas cuja morte de um ente querido as descontrolou completamente?

Alegadamente Jesus “ressuscita” no terceiro dia. Como aconteceu e de que forma foi é ainda um assunto muito delicado. Mesmo na Bíblia existem concordâncias e discordâncias a quantas pessoas apareceu e de que forma. Mais curioso ainda é que Jesus diz “não me toques” para Maria Madalena e diz para tocar nas suas mãos e no seu corpo para Tomé Dídimo. Uns reconhecem-no e outros não. A sua presença após morrer até à  sua “ascensão” varia entre os 8 dias e os 40 dias!  A ter acontecido “tal” só foi possível para Jesus? Porquê? Efetivamente a sua “morte” (que afinal não foi), eliminou o “pecado” do Mundo? De que forma?

Estes e outros assuntos serão interessantes de analisar à luz dos conhecimentos de hoje, eliminando-se assim progressivamente rituais, dogmas e fé cega que só geram mais divisões, guerras, sofrimento humano e animal.

Afinal caro leitor, como vai ser a sua “Passagem”? Se aquilo que entende por “milagre” o deixasse de ser, Jesus ainda era importante para si? Ou era o ruir da sua “fé”? Quanto mais feliz vai ser após “a sua Páscoa”? Quanto mais vai pazear em relação a todos os Seres? Qual o “rasto de amor” que deixa por onde passa? Quanto mais se aproxima dos ensinamentos de Jesus a cada ano que passa? Ou já está a espera da próxima festa religiosa que é o Natal?

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