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ELEIÇÕES LEGISLATIVAS EM ESPANHA: VEM AÍ A CONFUSÃO!

Ricardo Jorge Freitas

O país vizinho encontra-se agora em plena campanha eleitoral para as eleições legislativas do próximo dia 28 de Abril (28-A como chamam em Espanha).

Se é verdade que a crise assolou a Espanha em 2008 levou à formação de novos partidos (Ciudadanos e Podemos) que reinvindicavam soluções “novas” para acabar com a crise e, principalmente, com os escandalosos casos de corrupção que viveram os dois partidos clássicos (Partido Popular e PSOE).

Desde então, com a existência destes novos partidos, acabou-se a possibilidade de um partido lograr uma maioria absoluta, uma vez que houve uma divisão de votos para estes novos partidos. Isto provocou uma crise política sem precedentes pois a diferença de deputados entre o partido mais votado e o menos votado (destes quatro) não é muito expressiva, o que quer dizer que qualquer partido que vencesse umas eleições, precisaria obrigatoriamente de fazer coligação com outro(s) partido(s).

De uma forma básica, para que compreenda, há dois partidos mais à direita (Partido Popular e Ciudadanos) e dois partidos mais à esquerda (PSOE e Podemos).  O problema é que nas ultimas eleições, nenhuma destas duas coligações obteve maioria absoluta, pelo que foi imperativo conseguir fazer uma segunda coligação com os partidos “menores”. E aqui venceu a coligação de esquerda (PSOE+Podemos)  ao obter o apoio parlamentar do PNV (Partido Nacionalista Vasco)  e da coligação dos partidos independentistas catalães (ERC+Junts pel Si).

Este governo “geringonça” (em Espanha chamaram-lhe o governo “Frankenstein”), provovou a ira de muitos espanhois pois o governo central ficou a depender do apoio dos independentistas da Catalunha…

Esta ira e/ou indignação, em vez de provocar uma unidade da dita “Direita Política” para lutar contra estas forças de esquerda em coligação com os independentistas, criou uma divisão! Esta divisão foi consumada com a criação de um novo partido: VOX. Este novo partido, assume-se como sendo de extrema-direita (!!), patriota, nacionalista e, pasme-se, apoiantes da ditadura de Franco! São, portanto, franquistas assumidos.

Poder-se-ia pensar que este novo partido não teria a aceitação da população, por aquilo que representa, pelo passado que invocam e, principalmente, pelas ideias retrógadas que defender.  Digo ideias retrógadas porque considero que defender o machismo (este partido propõe que a Violência de Género ou Doméstica deixe de ser crime), defender a xenofobia (são totalmente contra a imigração e defendem que os imigrantes legais não tenham acesso ao sistema de saúde até completar 5 anos em Espanha), defender o nacionalismo (propõem ilegalizar todos os partidos catalães e colocar todos os seus dirigentes na cadeia) e as touradas (para não falar em mais propostas absurdas como a proposta que as armas possam ser compradas por qualquer cidadão para poder defender-se e se matar um assaltante teria direito a uma medalha de mérito), etc, etc.

Sim, leu bem, são propostas “populistas” que vão contra a Constituição Espanhola em todas as formas e sentidos. O espantoso é que este discurso agrada a muitos espanhois! A prova disso é que este partido, VOX, conseguiu já eleger varios deputados na Andaluzia e faz parte agora desse governo, em coligação com os partidos Ciudadanos e Partido Popular.

Agora, para as eleições legislativas de 28-A, surgem em todas as sondagens com uma intenção de voto entre os 12 e 15%. Para terem uma ideia, o partido com mais intenções de voto (PSOE), não chega aos 26% de intenção de voto.

Então, se até aqui tinhamos instabilidade política com 4 partidos a lutar por governar, agora junta-se mais um e são, portanto, 5.

O problema é que agora, se a Direita quizer governar, vai precisar obrigatoriamente de incluir este partido no governo! O mesmo é dizer que podemos vir a ter um governo em Espanha onde a extrema-direita fará parte dele.

Do lado da Esquerda, o problema é o mesmo, só que em vez de um partido “Nazi”, temos os partidos independentistas que provocam “urticária” em muita gente, para não utilizar adjectivos.

Resumindo, qualquer que seja o resultado eleitoral, este vai levar forçosamente a um governo de coligação que vai desagradar profundamente a outra metade. Vença a Direita ou a Esquerda, ambas contam com radicais e extremistas nas suas fileiras. Ambas necessitam destes radicais para formar governo, nenhum deles poderá dar-se ao luxo de recusar o apoio destes extremos se quizerem almejar ter a maioria parlamentaria para formar governo.

Poder-se-ia pensar que a solução “para agradar a todos” seria uma coligação do bloco central (PSOE+PP+Ciudadanos) mas estes três, rejeitam veementemente essa solução e, pior, insultam-se uns aos outros perante tal cenário.

Os próximos tempos, em Espanha, serão de instabilidade política. A existência de todos estes partidos com a força que demontram ter, explica na perfeição a enorme divisão que existe entre os Espanhois em geral. A Espanha está a caminhar para os extremos e afasta-se cada vez mais, do centro. É um país cuja população está a polarizar-se entre a extrema direita e a extrema esquerda.  O futuro de Espanha, e Projecto como país, pode sofrer rupturas e tentativas de disrupção a medio/longo prazo se nada for feito a curto prazo.


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