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Cidadania e Sociedade

OS POPULISMOS ESTÃO NA MODA

Moreira da Silva

O populismo não é um fenómeno moderno, pois surgiu com especial dinamismo nos Estados Unidos da América no final do século XIX, embora seja no século XXI que tem tido as condições férteis para poder medrar e despontar com mais força e apoio popular. Este fenómeno político que está a alastrar com relativa facilidade por todo o mundo utiliza um discurso ideologicamente de confronto e tenta distinguir o povo que é bom, da elite que é corrupta.

Mais que uma ideologia, o populismo é uma estratégia que utiliza um discurso com mensagens políticas diretas, impregnadas de ódio às instituições existentes e ao poder político instalado. A sua retórica é simples e facilmente entendível pelo cidadão comum, com afirmações categóricas que lutam e lutarão pelos superiores interesses do povo contra a elite privilegiada, pela redistribuição da riqueza.
O populismo tem proliferado em países cuja governação é facilmente criticável, onde os partidos políticos de estruturas obsoletas que se instalam na cadeira do poder não conseguem responder cabalmente aos desafios atuais da sociedade. Muitos dirigentes dos partidos políticos tradicionais, quando instalados no poder, rapidamente se esquecem de quem os elegeu e das promessas eleitorais que fizerem, o que origina perderem a credibilidade junto dos seus eleitores e abrirem as portas ao populismo que promete novos caminhos, para o regresso a um passado que não pode voltar.
Existe populismo de esquerda e de direita e o populismo pode aparecer ao cidadão com uma linguagem mais conservadora defendendo valores morais tradicionais, como pode surgir com uma “roupagem” de esquerda apelando a atos de insubordinação e de rotura revolucionária. O populismo pode surgir em regimes democráticos como em regimes autoritários, mas tem mais portas abertas e cresce mais rapidamente nas democracias eleitorais.
Os populismos contêm um paradoxo na sua essência, pois são simultaneamente entusiastas dos regimes democráticos e inimigos da democracia: o populismo é democrático quando defende a regra da maioria, mas é contra a democracia quando rejeita os travões que o estado de direito democrático impõe, através de instituições independentes que garantem os direitos fundamentais, como a liberdade de expressão e outros. Para o populismo é inaceitável que a vontade do povo seja limitada.
Para a evolução das sociedades é importante que os cidadãos tenham ideias diferentes, mas mais importante é terem a possibilidade de expressar os seus pensamentos e discutir as suas opiniões, sem serem objeto de escárnio e inveja ou receberem ameaças e retaliações. Provavelmente, o populismo que tem vindo a alastrar um pouco por todo o mundo é a principal ameaça às democracias.


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