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AS ELEIÇÕES ESPANHOLAS: 12 PARTIDOS NO PARLAMENTO

Ricardo Jorge Freitas

A Espanha foi a votos, mais uma vez. E ainda vai a votos outra vez este mês.

Vamos por partes, no passado dia 28 de Abril realizaram-se as eleições legislativas e agora começa a campanha para as eleições autárquicas, autonómicas e europeias.

O resultado das eleições legislativas deu um resultado inédito em Espanha. Já se esperava que ninguém iria conseguir uma maioria absoluta mas não se sabia que resultados iria ter cada partido, ou cada bloco de partidos à esquerda e à direita. A indefinição era total e ninguém se arriscava a dar prognósticos.

Bom, houve uma entidade (CIS, que é o centro de estudos e sondagens do “gobierno” de Espanha) que ousou publicar uma sondagem e esta dava um resultado muito parecido ao que acabou por acontecer. Não obstante, nessa altura, quase todos os partidos riram-se às gargalhadas dizendo que isso era puro delírio do CIS que era, diga-se, chefiado por um membro do governo socialista. A Sondagem dava uma vitória muito expressiva do PSOE (Partido Socialista) e uma derrocada em toda a linha do PP (Partido Popular). Era uma alucinação, uma sondagem encomendada à medida pelo PSOE, diziam então.

A tal alucinação tornou-se realidade, na verdade, esta sondagem foi a única que se aproximou da verdadeira sangria de deputados com cores e ideologias para todos os gostos.  Para ter uma ideia, foram 12 os partidos que conseguiram assento parlamentar. Sim, doze! E há de tudo, extrema-esquerda, extrema direita, partidos de esquerda e direita moderada, partidos do centro, partidos regionais, independentistas e nacionalistas.

Esta é a primeira parte da loucura, vamos à segunda parte desta odisseia: formar governo!

Antes das eleições, confiava-se que um bloco de partidos da direita ou da esquerda, poderiam obter uma maioria absoluta. Mas não se sabia se esse bloco ganhador seria da direita ou da esquerda tal era a quantidade de pessoas que a apenas 1 semana das eleições ainda não tinham decidido o seu sentido de voto. Esta indefinição acontecia pela ascensão de um partido de extrema-direita que seria essencial para uma coligação de direita vencer as eleições. Também há que mencionar que todas as sondagens indicavam que para formar governo, seria necessário um mínimo de 4 partidos coligados (à direita ou à esquerda) tal era distribuição da intenção de votos pelos vários partidos. Esta distribuição concretizou-se nas eleições.

Para surpresa de muitos, o partido de extrema direita, VOX, ganhou muitos apoiantes que face aos movimentos independentistas da Catalunha, decidiram também extremar a sua posição ao apoiar um partido que tem o nacionalismo espanhol como bandeira e ideal. Na minha última crónica pode ler um pouco mais sobre os ideais e medidas que este partido propõe à população.

Contados os votos, o bloco de partidos de esquerda ganharam a maioria. Juntos, somam um total de 175 deputados eleitos que é precisamente a metade do número de deputados que tem o Congresso (Parlamento)  espanhol. Sim, metade! São 175 contra 175, ou seja, falta-lhes 1 deputado para uma maioria absoluta! (176 contra 174). Isto para o Congresso de Deputados porque para o Senado Espanhol, o PSOE garantiu a maioria absoluta em solitário com 121 senadores eleitos.

E é aqui que aparece a fragilidade deste futuro governo que irá ser formado até ao fim deste mês. É caso para dizer que há boas e más notícias. As boas notícias é que neste lote de 175 deputados, o PSOE consegue juntá-los sem precisar de deputados independentistas catalães! Recorde que estes deputados catalães só apoiam um governo em troca de um Referendo de auto-determinação, o que entra em choque directo com os restantes partidos. Nesta situação, significa que o PSOE irá ser capaz de formar governo com o apoio necessário para governar. Mas, e agora vamos às más notícias… tem apenas o apoio justo no parlamento, ou seja, se precisar de uma maioria absoluta para passar uma lei, terá que ter o apoio dos independentistas.

Sobre este assunto irei falar em próximas crónicas porque ainda é prematuro falar como será composto o novo governo e quem fará parte dele.

 Ainda o pó não assentou e já teremos novas eleições em Espanha. Desta vez serão locais, regionais e europeias.

O Partido Popular (equivalente ao PSD em Portugal) teve o pior resultado da sua história, perdeu mais de metade dos seus deputados nestas eleições (de 137 para 66  deputados) porque errou no alvo da sua campanha. Já depois das eleições, o seu presidente veio a público reconhecer que errou e que afinal, não deveriam ter ido tanto à direita (queriam coligar com o partido VOX para formar governo) e perderam o seu eleitorado para esse partido. De repente, e literalmente da noite para o dia, o presidente do PP diz que agora querem voltar a ser um partido de Centro-direita como sempre foram. E isto é políticamente relevante porque ele teme que o mesmo resultado possa acontecer nas eleições autonómicas, locais e europeias.

Como prova que o PP foi o maior derrotado da noite, basta dizer que este partido não conseguiu eleger um único deputado no País Vasco, e na Catalunha elegeu apenas 1 deputado. De resto, refira-se que os partidos Ciudadanos e VOX, também não conseguiram eleger nenhum deputado na comunidade do Pais Vasco.

Seja como for, a política em Espanha está ao rubro, é um tema que parece ser mais discutido que o futebol neste momento. Não foi, por isso, surpresa a adesão dos eleitores às urnas: 75,7% de adesão e uma abstenção de 24,2%. Em regiões como a Catalunha, a adesão ainda superior: 77,5%!

No caso catalão, é relevante mencionar que a adesão massiva de eleitores, iria provocar mais votos nos partidos ditos “constitucionalistas” e os independentistas iriam perder deputados. O antigo presidente Mariano Rajoy chamava-lhes a “maioria silenciosa” que era a favor de uma Espanha unida. Os independentistas ganharam as eleições na Catalunha, o partido ERC dobrou o número de deputados e o partido JxCAT perdeu apenas 1 deputado. Ou seja… o independentismos saíu ainda mais reforçado! Os independentistas terão agora 22 deputados no Congresso (Parlamento) em Madrid.


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