Cultura, Literatura e Filosofia

EM MAIO, PODÍAMOS

Anabela Borges

“Anda ver, Maio nasceu”*

Maio traz uma nova batida ao calendário.

Querem reinventar uma nova rota da seda, com a visita do Presidente da República à China, e a Venezuela encontra-se num novo impasse – Revolta Sim, Revolta Não.

Maio é um mês aberto a tudo, aberto à esperança.

Quando eu era adolescente, o mês de Maio soava-me sempre a novidade. Pela luz que traz, pelos dias infinitamente maiores, pela aproximação ao fim e ao início de muitas coisas, Maio sempre me faz ficar na expectativa, numa expectativa das boas.

Quando era adolescente, o mês de Maio dava-nos, a mim e aos meus colegas, para arrebitar gargalo e fazer asneiras – saltar o muro da escola, faltar às aulas. Dava-nos para rir a plenos pulmões, tirar fotografias, passear à toa pela cidade, sentar numa esplanada e ser felizes.

O Maio é “maduro”, como diz o Zeca Afonso na canção. É o ano a galopar, a passos largos, no calendário, quase a atingir o meio – e o meio também pode ser o fim e princípio. E deve ser por isso que me traz uma certa paz e confiança:

“Maio, maduro Maio, quem te pintou

Quem te quebrou o encanto, nunca te amou”*,

O ar povoa-se de pássaros, as papoilas pintam o chão de vermelho vivo, os ramos das árvores ficam mais verdes, o céu mais azulinho, o meu coração mais sorridente.

Em Maio, podíamos todos renovar forças e ânimos; podíamos querer mais, crer mais; podíamos lutar mais, fazer mais. Em Maio, podíamos…

“Que a voz não te esmoreça vamos lutar”*,

Em Maio.

 *“Maio, maduro Maio”, Zeca Afonso.


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