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Saúde e Vida

É DA SINUSITE

Carla Cardoso

É da sinusite…

A sinusite é a entidade culpada de todos os narizes tapados, dores de cabeça e escorrências nasais. Mas será mesmo assim?

As condições rinite (inflamação da cavidade nasal) e sinusite (inflamação dos seios perinasais) normalmente coexistem na maioria dos doentes pelo que atualmente o termo mais correto a ser utilizado é o de rinosinusite.

O diagnóstico de rinosinusite no adulto pressupõe a presença de pelo menos dois dos sintomas sendo que um deles tem obrigatoriamente de ser

–       obstrução ou congestão nasais

–       rinorreia (escorrência) anterior ou posterior

E o outro:

–       pressão ou dor facial

–       diminuição ou redução do olfacto.

Estes sintomas têm que estar associados a alterações na endoscopia nasal e/ou a alterações na TC dos seios perinasais.

A presença de sintomas na ausência de alterações à endoscopia ou na TC exclui o diagnóstico assim como a presença de alterações na TC sem sintomas associados. Ou seja, um relatório de TC a descrever sinusite não faz o diagnóstico clínico de rinosinusite. Mas nem todas as formas de rinosinusite implicam a realização de exames e o Rx de seios perinasais não tem qualquer indicação na actualidade.

A rinosinusite pode ser classificada de acordo com a evolução temporal em aguda, quando tem uma duração inferior a 12 semanas ou crónica quando a sintomatologia persiste mais de 12 semanas.

A rinosinusite aguda engloba a viral (constipação comum), com uma duração de sintomas inferior a 10 dias e a pós-viral em que se observa um agravamento da sintomatologia 5 dias após o início da doença ou a persistência dos sintomas por mais de 10 dias, mas inferior a 12 semanas. Uma pequena percentagem de doentes com rinosinusite aguda pós viral (0,5 a 2%) tem uma rinosinusite aguda bacteriana. A presença de infecção bacteriana é caracterizada por rinorreia purulenta, dor local de predomínio unilateral e febre.

A rinosinusite aguda é mais prevalente no Inverno, na exposição a poluentes e fumo de cigarro e nas variações de temperatura. Estima-se que um adulto esteja 2 a 5 vezes constipado por ano e uma criança em idade escolar  7 a 10 vezes. Esta condição é em regra auto-limitada e o tratamento sintomático não sendo necessária observação médica. A rinosinusite aguda deve ser encarada inicialmente como uma condição inflamatória e não como uma infecção bacteriana aguda. O diagnóstico é clínico e na ausência de suspeita de complicação não é necessário qualquer exame complementar de diagnóstico.

O tratamento inicial inclui descongestionantes, anti-inflamatórios e corticoides nasais. O uso de anti-histamínicos só está indicado nos doentes com rinite alérgica conhecida.

No caso de persistência da sintomatologia o doente deve ser observado por um otorrinolaringologista.

No caso da rinosinusite crónica os sintomas persistem por mais de 12 semanas. A rinosinusite crónica é normalmente sobrediagnosticada principalmente nos cuidados primários dada a indisponibilidade de endoscopia. Estima-se que tem uma prevalência de 5 a 15% na população geral.

O objectivo do seu tratamento é a ausência completa de sintomas ou, se persistência que não sejam percepcionados como incómodos pelo doente. O tratamento inclui lavagens nasais com solução salina, corticoide nasal e sistémico, antibioterapia de curso prolongado. No caso de sintomas moderados a severos não controláveis com medicação temos a considerar o tratamento cirúrgico.

Em conclusão a rinosinusite é em regra aguda com resolução completa da condição. Só uma pequena percentagem dos doentes evolui para a cronicidade e estes sim podem dizer… é da sinusite.


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