Cidadania e Sociedade

#CONSUMERISMO

Rui Canossa

Vivemos numa era do consumismo, numa sociedade que prioriza e incentiva o máximo consumo, perigoso, impulsivo, pelo modelo mais recente, pela nova tendência, pelo produto exclusivo, pelo último perfume que o ator preferido usa.

Até o prémio Nobel da Economia em 2017, Richard Thaler, disse que ia gastar o dinheiro do prémio, cerca de um milhão de euros, da forma mais irracional possível, no seu tom irónico e humorístico. O que é um facto científico é que a economia e a psicologia andam de mãos dadas. As pessoas nem sempre são racionais nas suas escolhas que têm também razões subjetivas e culturais.

Daí que o conceito de consumerismo tenha vindo a entrar cada vez mais no nosso quotidiano. O consumerismo indica-se como uma forma de consumir em que a racionalidade, a reflexão e a responsabilidade são os principais gatilhos para a tomada de decisão. O consumo impulsivo, baseado no desejo e nos apelos emocionais, passa a ser racionalizado e o consumidor expõe suas preocupações sobre os impactos do seu comportamento de consumo.

Este não é um movimento recente, nem mesmo inesperado. Na verdade, ele é a consequência direta de uma sociedade que, por conta das novas tecnologias de informação e comunicação, está a pautar as escolhas baseadas em informações.

E como fazer isso? Selecionei alguns dos cuidados a ter na tomada decisão em ordem a adotar, cada vez mais, uma atitude consumerista.

  1. Aproveite as promoções. As campanhas agressivas de promoções e descontos introduzidas, principalmente nas cadeias de supermercados e marcas alteraram o consumo em Portugal. Quem estiver atento a estas ofertas consegue poupanças. Mas, por outro lado, tenha cuidado, não compre o que não necessita.
  2. Cuidado com os brindes e as ofertas, já que as empresas conseguem criar pontos de referência, como preços artificialmente elevados, para oferecerem vendas com grandes descontos e brindes.
  3. Compre online, não está sozinho, pois cerca de 37% dos portugueses entre os 16 e os 74 anos realizaram compras na net em 2018. Agora, veja lá se não há produtos já pré-selecionados e que você compra conjuntamente com o que quer e tenha cuidado com as despesas de envio que podem tornar o produto bem mais caro.
  4. Evite a compra por impulso. As compras imprevistas estão mesmo previstas como diz num manual de economia de 10º ano. As armadilhas num supermercado estão lá todas como a exposição de carrinhos e chocolates mesmo na fila para pagar! Se decidir comprar uma bicicleta nova para abater uns quilinhos para o verão, veja a sua força de vontade primeiro e não compre logo uma bicicleta em fibra de carbono!
  5. Não deixe para amanhã o que pode poupar hoje. Amanhã não se sabe se vamos receber as reformas que estamos a pensar vir a ter hoje, dado que a Segurança Social tem cada vez mais problemas e, por isso, é melhor começar a poupar e a investir num futuro alternativo.
  6. Renegoceie tudo! Sim, não seja preguiçoso, vá ao seu banco renegociar o spread, vá à seguradora baixar o seguro do carro, da casa, do cão. Vá ao operador de telemóvel, da tv cabo, da luz, da água ou do gás! Até o IMI, faça uma reavaliação do imóvel, pode ser que tenha uma poupança, mas cuidado, que se for num grande centro, com a especulação imobiliária, é melhor ficar quieto.Enfim, o consumerismo veio para combater o consumismo perigoso, que tantas vezes põe em causa a solvabilidade das famílias. Nunca me esqueço do exemplo de uma senhora que foi para a televisão queixar-se que tinha sobre-endividamento, já que tinha 10 créditos ao mesmo tempo para pagar e que não conseguia mesmo ganhando 2500€ limpos, por mês.

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