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4.º DOMINGO DE MAIO É TRADIÇÃO

Este fim de semana decorreu em Cárquere, Resende, mais uma romaria do 4º Domingo de Maio. As pessoas que são naturais ou que têm as suas raízes nesta freguesia sabem que falhar a esta celebração é tão grave quanto falhar um Natal. Podemos falhar muita coisa, mas não um 4º Domingo.

4º Domingo de Maio tem para nós o significado de união. Os carquerenses e seus descendentes têm neste dia mais um mote para se juntarem e celebrarem a união e as bênçãos que a Senhora de Cárquere (para quem nela crê) traz às nossas famílias. Ao sábado, muitos por vezes têm a comunhão de alguém e no domingo temos uma missa campal no Carvalhal um dos sítios de Cárquere com o qual a Natureza foi (ainda) mais generosa no que toca à paisagem.

Mas o 4º Domingo não significa apenas união das famílias oriundas desta freguesia. Significa união de todas as famílias de Resende até porque é a celebração religiosa que mais une o concelho havendo romarias de pessoas de todas as outras freguesias que no domingo vão até Santa Maria de Cárquere. Muita gente vai a pé, mesmo que não sejam católicos praticantes, têm a tradição de se deslocarem a pé nesse dia em devoção à Santa. Outros romeiros levam merenda e no fim da missa ficam pela sombra das árvores do carvalhal aproveitando o momento em família.

O 4º Domingo é cultura. No domingo à tarde antes de terminar com a procissão a festa é abrilhantada por bandas filarmónicas. Este ano foi pela Banda Musical de São Cipriano “A Nova”, de Resende, e Banda Musical de Magueija, Lamego. Antigamente o povo tinha gosto em estar até ao fim a acompanhar um pouco a picardia entre as bandas e incentivar a que tocassem sempre mais uma. Atualmente já não há tanto envolvimento por parte do público, mas ainda continuam a ser bastante apreciadas e acarinhadas. Como por mim, que herdei a costela de apreciar bandas filarmónicas do meu avó materno.

O 4º Domingo é tradição. Tradição de nos juntarmos. Tradição de almoçarmos em casa da avó. Que agora passou a ser em casa dos tios porque os avós já cá não estão. Tradição de visitar as barraquinhas das doceiras. Das peças para a casa. Dos brinquedos. Que ainda vão resistindo ao modernizar dos tempos. Tradição de irmos à missa. Mesmo que não sejamos muito crentes. Mesmo que ela dure tempos infinitos (segundo a visão de alguns).

E tradição da Procissão das Velas. A procissão das velas que acontece no sábado à noite. Não sou muito devota no que à religião diz respeito. Sou uma mulher de fé. Mas de fé na vida. No entanto e apesar de pouco ou nada ligar à prática da religião católica (para desgosto da minha mãe) esta é uma procissão que tento não falhar.
É algo que a minha família se junta toda e vai (os mais crentes e os menos crentes também). Quando éramos miúdos a nossa missão era chegar ao fim da procissão sem queimar o papel da vela. Atualmente não sei o que me move mas continuo a ir.

Que a Senhora de Cárquere, a vida ou o que quer que seja que acreditam nos proteja a todos.


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