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Cidadania e Sociedade

A ABSTENÇÃO QUE NÃO HONRA O 25 DE ABRIL

José Castro

Todos nós estamos inseridos numa família e esta numa determinada comunidade, com os seus hábitos, tradições, costumes, culturas, políticas, arte, espiritualidade, etc.  Quanto mais isolada mais  tempo perduram essas características…. Sejam boas ou más! (Boas ou más apenas se distinguem por se fundamentarem, ou não, nos valores universais, ética, equidade, justiça, paz e respeito por todos os Seres).

Mesmo em Portugal, tão pequeno em tamanho, cheguei a dar aulas em locais onde as crianças nunca tinham sentido o …mar! A realidade da aldeia inserida na montanha em nada se assemelha à dinâmica de uma grande cidade! Com vantagens e desvantagens para os dois lados! Hoje, graças aos meios de transporte terrestre (infelizmente apostou-se pouco no comboio), rápidas (mas caras) em pouco tempo vamos de Chaves ao Porto ou a Braga!

A globalização veio uniformizar muita coisa. Perdeu-se a identidade, adotaram-se atitudes e comportamentos “padrão” não se distinguindo o que é progresso do que é alienação! O materialismo/consumismo crescente, a produção de novas necessidades eficazmente estudadas pelo neuro marketing, o stress no trabalho que se aguenta por causa das dívidas, as desigualdades sociais, as injustiças patentes na sociedade, o descrédito no sistema económico e político, levaram a que a abstenção Eleitoral nas Europeias em Portugal quase atingisse os 70%. Claro que a falta de conhecimento (apesar da dita Internet e respetivos sites oficiais das mais variadas instituições nacionais e internacionais) em termos de política Europeia, leva ainda mais ao afastamento dos cidadãos. Assim, 31% dos cidadãos portugueses escolheram os 21 eurodeputados portugueses que na UE materializam regulamentos, diretivas e decisões a aplicar a todos os cidadãos!

O alheamento na participação do dever cívico de votar não dignifica nem honra aqueles e aquelas que no passado lutaram para conseguirem votar. A mulher sempre descriminada (ainda hoje !), só o fez em Portugal há 108 anos e no mundo há 125 anos. Qual o direito dos abstencionistas de opinarem sobre política no país? O alegadamente não concordarem com nenhuma força política deveria ser o motor da criação de novos partidos!

Muito se fala nestas alturas nas possíveis soluções de combate à abstenção!  Desde a forma de “fazer” política, mais participativa e próxima dos seus eleitores, até ao papel dos jornalistas e comunicação social na produção de informação, factual, rigorosa e pedagógica, etc !  Mas a aposta tem que ser na Educação! É na educação das crianças, como processo de capacitação e edução de talentos (cognitivos, emocionais e espirituais),  que se sensibiliza para a importância da sua ação e participação ativa para melhorarem o seu “pequeno” mundo, seja em casa, na escola ou na sua localidade! Estas têm de sentir que podem produzir mudanças com a sua intervenção fundamentada! As crianças tem de sentir que são mais que marionetes no mundo dos adultos. Elas tem que sentir que fazem falta! Estas práticas de cidadania irão resultar, quando jovens adultos, tiverem prazer de “lutar” pacificamente na construção de um mundo melhor… propondo uma diversidade de propostas! Democracia é escolher em consciência e com discernimento a melhor, após estudá-las a todas.

Felizmente no mundo tudo flui, lenta mas insistentemente e novos paradigmas se irão levantar, novos desafios irão chocar com propostas do passado que conduziram a Europa e o Mundo ao estado em que está!  É pois necessário fazer diferente e melhor onde a democracia o seja de facto, onde os “lideres” políticos possam ser chamados de líderes como fontes de inspiração e impulsionadores de uma eco consciência profunda no País, Europa, ou Mundo promovendo a coexistência pacifica entre todos os Seres, garantindo a sustentabilidade da nossa “mãe” Terra.


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