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Cidadania e Sociedade

MAS AFINAL, O QUE SÃO STARTUPS?

Rui Canossa

Se há uns tempos me falassem de unicórnios o mais provável era imaginar-me a brincar com a minha sobrinha mais nova com os animais mitológicos que têm a forma de um cavalo, geralmente branco, com um único chifre em espiral. A palavra startups também entrou no nosso quotidiano.

Mas afinal, o que são startups? Numa definição objetiva, são um tipo de empresa que se diferencia das empresas tradicionais em três aspetos: uso intensivo de tecnologia, estrutura leve e inovação no modelo de negócio. A fusão desses aspetos permite que startups cresçam, em média, 200% ao ano – em comparação a empresas tradicionais que crescem 20% em média.

Agora que entendemos as principais características de startups, vale explorar o que são startups unicórnio. A nomenclatura, inspirada na “raridade” do ser mitológico, é dada para um grupo seleto de startups que passam por um crescimento exponencial, alcançando a avaliação de mil milhões de dólares (cerca de 887 mil milhões de euros) por uma agência de capital de risco. Apesar de a lista de unicórnios variar diariamente, principalmente por conta de aquisições e IPOs, há aproximadamente 200 delas no mundo.

Dessa lista, algumas startups já fazem parte do nosso quotidiano, como o Uber, Xiaomi, Airbnb, Snapchat, Pinterest, Spotify, Dropbox e SurveyMonkey. Com apenas estes nomes, já é possível observar três características: tecnologia (todas contam com apps como principal canal de distribuição, à exceção da Xiaomi), estrutura (escritórios pós modernos com colaboradores de alta eficiência) e inovação no modelo de negócio (a maioria foi, de certa maneira, responsável por inaugurar um nicho no mercado).

Apesar de a lista possuir “velhos” conhecidos, um aspeto tem chamado a atenção: as startups estão-se a tornar unicórnios num período de tempo cada vez menor. O tempo para as startups se transformarem em unicórnios é pequeno, e fica ainda menor se compararmos com algumas gigantes líderes da lista de unicórnios mais valiosos. O Airbnb, por exemplo, levou 3 anos para alcançar a marca. O Dropbox, 4 anos. Já o Uber, que manteve a posição de startup mais valiosa do mundo, levou 4 anos e 6 meses. Apesar de as gigantes estarem na média geral, vemos a força de startups que crescem a uma taxa 400% maior.

Mas, afinal, como é que essas empresas se transformam em unicórnios? Quatro estratégias em comum ajudam a explicar: 1) passam por um crescimento exponencial na participação de mercado; 2) o seu potencial é impulsionado por altíssimos investimentos de risco; 3) não buscam necessariamente o lucro no primeiro momento; 4) buscam prioritariamente a escala e alcançar o maior número possível de consumidores.

Outro fator deve ser observado sobre os unicórnios atuais: 25% deles são asiáticos (concentrando-se na China). Apesar de a maioria dos demais 75% se concentrar na América do Norte (a exemplo da maioria das gigantes), a taxa de crescimento de startups unicórnio asiáticas é expressivamente maior (a exemplo de duas das três que alcançaram a marca mais rapidamente).

Mas há unicórnios que têm o toque português. A primeira startup portuguesa a pôr a palavra unicórnio no léxico empresarial do país. Fundada por José Neves, hoje o 4º homem mais rico de Portugal, com sede em Londres, é uma plataforma de venda online de bens de luxo. O seu fator diferenciador é fazer a ligação direta entre clientes e boutiques em todo o mundo. A ausência de stocks diminui-lhe o risco, a visibilidade das pequenas lojas aumenta exponencialmente e a oferta de José Neves aumenta. Criada em 2008, ascendeu à condição de unicórnio em 2015 e passou a estar cotada no NASDAQ – índice de cotação bolsista das empresas tecnológicas da Bolsa de Nova Iorque, tendo sido a primeira empresa fundada por um português a fazer um IPO – Initial Public Offering. Outro unicórnio português é a empresa fundada por Tiago Paiva e Cristina Fonseca, a Talkdesk está agora avaliada em cerca de 1250 milhões de dólares (1082 milhões de euros), o que a coloca no universo restrito das empresas “unicórnio” (startups com um valor superior a mil milhões de dólares. A Talkdest é um serviço de cal center que dispensa quaisquer dispositivos físicos além de um computador e, eventualmente, uns auscultadores com microfone. Através de algoritmos, de Inteligência Artificial, a Talkdesk tenta fazer uma ligação perfeita entre quem está a ligar, e quem está a atender, para que o atendimento seja, além e personalizado, mais agradável. Por exemplo, imagine que liga para um restaurante a fazer uma reserva e, se já for cliente, então quem os estiver a atender vai saber quem lhe está a ligar, onde esteve, o que pediu, se na altura gostou e na forma de como gosta de ser atendido, podendo até antecipar a razão pela qual está a ligar, um aniversário por exemplo.

Vamos estar atentos e ver onde estará o próximo unicórnio.

One thought on “MAS AFINAL, O QUE SÃO STARTUPS?

  1. Comece lá de novo, com haste melhor direccionada, quantas starts são lançadas e qual é a percentagem das que pós um ano ou dois, têm a haste acima do nível médio do mar?
    Pela aproximação parece o suco da barbatana.
    Mas não é. O esforço das que conseguiram iniciar o caminho e nem começaram, bem como as que começaram e tropeçaram aqui e ali por causa própria ou não,
    não é de ensinamento, pelo teor da publicação.
    Seja de ensinamento e esclarecimento.

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