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FÉRIAS GRANDES

As minhas férias grandes foram durante muitos anos sempre com a mesma “programação”. Já sabia que quando terminassem as aulas era uma questão de dias até ir para o Porto, onde o meu padrinho tem um restaurante, passar semanas e semanas com as minhas primas na praia.

A mais velha, com a carta recém-tirada era a responsável da “canalha”. Pegava na Toyota do meu padrinho, que depois foi substituída por uma Ford mas na mesma com bastantes lugares para levar a miudagem toda e lá íamos nós. Era ela, eu, a irmã dela, outro primo, e os filhos do sócio do meu padrinho. Éramos sete. Por vezes juntava-se outro primo e a namorada o que para a minha prima era um alívio porque diminuía a responsabilidade e pelo menos tinha mais alguém da sua idade para conversar.

Quando acabávamos de almoçar começávamos a fazer o lanche. Normalmente eram umas sandes de panado para cada um, uma frutinha, e uma garrafa de litro e meio de água com um pouco de groselha diluída que nós parvos, como a idade assim o ditava, ostentávamos na praia “armados” que estávamos a beber vinho tinto. Íamos até às praias de Gaia, sempre limpas e à pinha e, como era de esperar, passávamos a vida a massacrar a mais velha com a pergunta do “Já posso ir à água?”.

Vínhamos todos molhados da água e caíamos na areia só para parecermos um panado. Jogávamos à bola, se bem que a minha falta de jeito fazia deste jogo o que gostava menos, às cartas, com raquetes… Falávamos sobre mil e uma coisas, liamos, “micávamos” os outros putos, gozávamos com a mulher que berrava “Olhá língua da Sogra!”, na altura ainda não havia a moda da Bola de Berlim. E ríamos, ríamos muito. Era tudo doce, até mesmo o sal do mar se perdia no meio da doçura do dia.

Depois claro, chega a vida e as preocupações. E os filhos. E os horários trocados que não conseguimos estar todos juntos, pelo menos ao mesmo tempo. Só damos valor depois de perdermos. E é um facto. A praia já não é tão doce. Até posso ir com alguém quem ia e é um bom momento, claro, mas o mundo adulto estará a pairar nas conversas, nos nossos pensamentos paralelos… A groselha também já não tem o mesmo sabor. E muito menos vamos fazer de conta que é vinho tinto. E os jogos? Esqueçam, com a correria do dia-a-dia o provável que aconteça é adormecer ao sol… E apanhar um escaldão.

Não há férias como eram as férias grandes. As quais apesar de gostar da escola ansiava sempre por saber que iria estar reunida com os meus primos. Nas quais tínhamos aventuras (reais ou imaginadas). Onde ríamos só por rir. Onde a vida era leve e doce. Onde a nossa maior preocupação era não apanhar um escaldão. E a nossa maior ansiedade era chegar a hora em que a “patroa” nos deixava por o pé na água.

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