Cidadania e Sociedade

E OS ANIMAIS?

José Castro

A 2 de outubro, comemorou-se o dia Mundial do Animal da Quinta e amanhã comemora-se o Dia Mundial do Animal. No que diz respeito ao primeiro dia, seria interessante questionar as nossas crianças e jovens sobre as imagens e sentimentos que lhes ocorrem quando pensam nos animais do campo, ou seja, daqueles de que a maioria da população (ainda) se alimenta. Facilmente verificamos que para eles, esses animais têm uma vida fantástica, junto das suas crias, ao ar livre, até serem abatidos sem qualquer tormento ou dor. Tal ocorrência, deve-se segundo o investigador Rui Fonseca do CIES-IUL – Centro de Investigação e Estudos de Sociologia – Instituto Universitário de Lisboa, à invisibilidade e à mitificação de animais nos livros infantis referentes aos animais da quinta. Curiosamente, esta imagem primária e distorcida vai prevalecer no adulto, conseguindo este fazer, inconscientemente, uma separação emocional em relação ao animal de que se alimenta. Aliás, ainda hoje se utiliza como publicidade o conceito erróneo das ditas “Vacas Felizes!”. Invisibilidade significa que as reais vivências dos animais para nosso alimento, em que a maioria é produzida em pecuária intensiva e que passa uma vida de tortura “psíquica” e física, são propositadamente “escondidas”. Constata-se também que nesses livros, a “morte” simplesmente não aparece, como condição necessária para se obter carne, podendo ser horrível nomeadamente pelos processos halal e kosher. Mitificação prende-se com a atribuição de características humanas (antropomorfizados) aos animais, cumprindo estes funções de favorecimento dos interesses humanos. Assim sendo, fica fácil compreender a revolta e indignação de muitos, quando a Universidade de Coimbra anunciou, por questões ambientais, a eliminação da carne de vaca das suas cantinas, à semelhança de outras universidades no estrangeiro. Fica fácil entender o mapa mental daqueles que dizem: “ afinal, os animais servem para quê”? Referir que todos os anos são abatidos cerca de 64 mil milhões de animais em todo o mundo, uma situação insustentável, com impactes ambientais irreversíveis. A piorar a situação, acresce o aumento da população mundial, que em 2050 será cerca de 9.6 biliões de pessoas. É pois necessária uma revolução nas nossas práticas alimentares, com reduções drásticas no consumo de carne (comemos três vezes mais carne do que necessitamos!). Uma alimentação vegetariana ou vegan é uma possibilidade, (para mim uma realidade) quando esta cumpre os requisitos nutricionais desejáveis e não seja uma mera experiência inconsequente.

Por último, referir o Dia Mundial do Animal, aqui englobando todos os animais dando, relevo aos animais de companhia (que dependendo da cultura não se tornam alimento, especismo inconsciente) e principalmente os animais selvagens, que hoje ocupam apenas 2% do Planeta. A quem detém animais de companhia que o faça garantindo o seu bem-estar em toda a sua existência proporcionando-lhe liberdade, conforto adequado e não humanizando os animais! Importa promover a esterilização dos mesmos, jamais os abandonar e assim limitar a presença de animais errantes. Quanto aos animais selvagens há que proporcionar a sua existência nos seus habitats naturais evitando zoológicos e/ou oceanários. A lista de espécies em extinção patente no livro vermelho, está continuamente a aumentar o que deverá fazer-nos repensar toda a nossa atuação enquanto seres humanos. Referir finalmente, que nos outros animais também se incluem os insetos, aracnídeos e todos os que se inserem no filo dos Artrópodes, que embora frequentemente causem alguma reação adversa, são vitais para a nossa sobrevivência!

A visão antropocêntrica tem-nos conduzido a um estilo de vida jamais sustentável, devemos pois ampliar a nossa consciência permitindo a compaixão para com todos os Seres.

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