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AS NOITE DO DJABATÉ

Joana Benzinho

Na Guiné-Bissau vive-se muito na rua. A falta de eletricidade e de água nas casas assim o dita. Nasce o sol e cá fora, no pátio da casa, já fumega a panela do mata-bicho, um pequeno almoço almoçarado que vai esconder a fome e as dificuldades durante o dia. Quando cai a noite, e quando o orçamento o permite, lá estão as famílias de novo junto do fumegar da fogueira a preparar o jantar, não raras vezes arroz, e a conversar. Na capital pode até nem ser tanto assim, pelo menos no centro a que se chama Praça, mas nos bairros periféricos ainda assistimos a todo este cerimonial. E depois, com o cair da noite encontramos no breu as boutiques que vendem velas, pilhas e tudo o que possamos procurar, os bares-contentor onde há luz de gerador e cerveja sempre fresquinha e, claro, um ou outro espaço de referência para quem aprecia uma boa noite de convívio. Como é o caso do Djabaté. É um espaço de dois contentores com chapas de zinco a desenhar uma esplanada que está sempre cheia. De dia e ainda mais de noite. A chave do sucesso aqui é a carne de cabra grelhada. E o enorme ecrã que fica até altas horas da madrugada a dar telenovelas brasileiras ou séries da brasileira Tv Record, isto quando não há musica ao vivo. Bem perto da esquadra da Guarda Nacional, aqui a algazarra é grande mas parece não incomodar ninguém da vizinhança.


O dono da casa, o Senhor Djabaté, mata diariamente as cabras que depois de desmanchadas são expostas em cima de caixas de cartão abertas num balcão improvisado. Quando ali chegamos, sejam três da tarde ou três da manhã, o ritual é sempre o mesmo. Agarra-se no garfo, escolhem-se os nacos do nosso agrado que são prontamente dissecados por um funcionário que os leva em mil pedacinhos para uma grelha que está sempre com carvão incandescente para dar resposta à procura constante.

E dali vai para a mesa com uma cebolada e uma maionese bem picante, como é habitual na Guiné-Bissau. Um delicioso pitéu.

Este bar de referência das madrugadas guineenses consegue juntar num mesmo espaço os notivagos que ali acabam a noite a aconchegar o estômago com os moradores do bairro que fazem daquele espaço a sua sala de estar, para ver um pouco de televisão ou assistir a um de musica ao vivo proporcionado por alguns artistas guineenses de excelência.

É interessante este espírito de rua, que junta gente tão distinta em volta de uma mesa. E com a carne de cabra grelhada sempre presente, a marcar a história de quem ali passa uma vez e acaba por tornar o Senhor Djabaté ponto obrigatório de paragem. Como eu.

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